Chefe dos bombeiros diz que cenas da boate Kiss são indescritíveis

O oficial presta depoimento no julgamento dos quatro réus pelo incêndio da casa noturna, em andamento há sete dias em Porto Alegre

Chefe dos bombeiros diz que "Não tenho como descrever" sobre entrada na boate Kiss
“Não tem como relatar doutor, é difícil, doutor. É uma imagem muito forte, até para o profissional de segurança é muito forte” (Créditos: Reprodução / Twitter @_eduardomatos)

O bombeiro militar Gerson da Rosa Pereira, de 56 anos, pediu para não descrever a cena ao entrar na boate Kiss no dia do incêndio, em 27 de janeiro de 2013. Na época, ele era o chefe do Estado-Maior da corporação, cargo de subcomandante, e hoje é diretor do departamento administrativo dos Bombeiros.

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O oficial presta depoimento no julgamento dos quatro réus pelo incêndio da casa noturna, em andamento há sete dias em Porto Alegre. Durante seu depoimento o bombeiro militar se emocionou muitas vezes, embargou a voz e fez pausas na hora de responder às perguntas do juiz Orlando Faccini Neto. Em um momento o juiz pediu para que Gerson descrevesse a cena que viu quando chegou ao banheiro da boate.

“Não tem como relatar doutor, é difícil, doutor. É uma imagem muito forte, até para o profissional de segurança é muito forte.”

No início dos depoimentos, o oficial perdeu a voz ao falar que seus filhos poderiam estar na festa. Na sequência, disse que começou a receber informações da sala de operações do Corpo de Bombeiros e resolveu ir até o local. “Quando disseram que era incêndio na boate Kiss, vi que não seria uma situação normal. Quando falaram que já havia 30 mortos, fiquei preocupado.”

No momento em que chegou à casa noturna, encontrou uma situação “total descontrole” dos órgãos de segurança que estavam no local. Ele lembra que, na época, o IGP (Instituto-Geral de Perícias), iria levar os corpos para Porto Alegre, que mudaram de ideia devido ao risco de pais e familiares pegarem estrada em situação de choque, Santa Maria fica a 289 km de distância da capital gaúcha.

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Por esse motivo os corpos foram levados para o CDM (Centro Desportivo Municipal). No mesmo dia do ocorrido, a coordenação da operação passou do Corpo de Bombeiro para o Exército. A mudança foi pelo fato da vinda da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) para Santa Maria, explicou Pereira.

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