Crime Hediondo

Menina yanomami de 12 anos é estuprada e morta por garimpeiros

Mais de 28 mil indígenas vivem em Terra Yanomami; segundo relatório da Hutukara Associação Yanomami (HAY) existem cerca de 20.000 garimpeiros na região.

Menina yanomami de 12 anos é estuprada e morta por garimpeiros
Avanço do garimpo ilegal sobre a Terra Yanomami leva à maior devastação do território em 30 anos (Crédito: Andressa Anholete / Getty Images)

Uma menina yanomami de 12 anos foi estuprada e morta por garimpeiros em Roraima. O crime aconteceu dentro da Terra Yanomami, maior reserva indígena do Brasil, que sofre com o avanço do garimpo ilegal pela região.

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A vítima vivia na comunidade Aracaçá, que fica na região de Waikás, e é uma das mais atingidas pelas invasões de garimpeiros e mineradoras ilegais. Em reportagem do portal g1, o presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kwana (Condisi-YY), Júnior Hekurari Yanomami, relatou o que os moradores viram acontecer com a menina yanomami:

“A adolescente estava sozinha na comunidade e os garimpeiros chegaram, atacaram e levaram ela para as barracas deles. A tia dela defendeu. Quando estava defendendo, os garimpeiros empurram ela em direção ao rio junto com a criança. Essa criança se soltou no meio do rio, acho que estava em um barco. Eles invadiram e levaram [a menina] para o barraco dos garimpeiros e a violentaram brutalmente, estupraram essa adolescente. Moradores de lá me disseram que ela morreu. Então, é muito triste, muito triste mesmo”.

O líder Júnior Hekurari encaminhou um ofício, na manhã desta terça (26), contando o que aconteceu e pedindo a apuração do caso à Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), que é um órgão de responsabilidade do Ministério Público Federal (MPF), da Polícia Federal (PF) e do Ministério da Saúde.

Em nota, o MPF informou que está buscando a apuração do caso e que “situações como essa são consequência cada vez mais frequente do garimpo ilegal em terras indígenas em Roraima. Como forma de evitar novas tragédias como as que vem ocorrendo, o MPF já acionou a Justiça e se reúne rotineiramente com instituições envolvidas na proteção do território indígena para que se concretizem medidas de combate sistêmico ao garimpo. Entre essas medidas, estão a retomada de operações de fiscalização, construção de bases de proteção etnoambiental e mudanças nos procedimentos adotados por órgãos fiscalizadores”.

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