MUDANÇAS GEOLÓGICAS

Núcleo da Terra está desacelerando; entenda consequências

Uma pesquisa publicada na revista Nature revelou que o núcleo funciona em períodos de aceleração de 70 anos

Uma pesquisa publicada na revista Nature revelou que o núcleo da Terra funciona em períodos de aceleração de 70 anos.
A mudança pode afetar duração dos dias e campo magnético – Créditos: Canva

O núcleo interno da Terra é alvo de diversos estudos desde sua descoberta. Sua movimentação é independente do planeta e as características deste movimento (velocidade e sentido) ainda são o centro de muitos debates e poucas concordâncias entre os cientistas. A recente mudança na aceleração do núcleo e a possibilidade de uma lentidão criou divisões entre os especialistas, que ainda tentam entender o que está acontecendo.

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Uma pesquisa divulgada em junho de 2023 na revista científica Nature trouxe novas perspectivas sobre a rotação do núcleo interno. Segundo os dados, há uma alternância entre períodos de aceleração e desaceleração que ocorrem em ciclos de aproximadamente 70 anos. Essas descobertas foram confirmadas pela análise de ondas sísmicas resultantes de terremotos, observadas ao longo de várias décadas.

As evidências sugerem uma complexidade ainda maior na movimentação do núcleo interno, onde períodos de rotação mais rápida são seguidos por desacelerações e até reversões temporárias da direção de giro, algo que reformula as teorias existentes sobre o comportamento do núcleo do planeta.

Embora o impacto direto dessas oscilações na vida diária seja mínimo — alterando a duração do dia em apenas milésimos de segundo —, o entendimento do funcionamento do núcleo é crucial para diversas áreas, desde a geologia até a proteção planetária contra raios solares. Além disso, a pesquisa contínua sobre o núcleo da Terra pode oferecer maiores informações sobre processos geológicos (como tsunamis e terremotos) mais amplos e sobre como o planeta se comporta como um sistema dinâmico e interconectado.

O que se sabe até hoje sobre o núcleo da Terra?

Descoberto pela sismóloga dinamarquesa Inge Lehmann em 1936, o núcleo interno da Terra funciona quase como um pião que gira no seio de outro, apresentando peculiaridades em sua movimentação. As observações e estudos ao longo dos anos revelaram comportamentos de rotação objetivo de vasta investigação e especulação.

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Localizado profundamente abaixo da superfície, a cerca de 5.180 quilômetros, o núcleo interno é majoritariamente composto por ferro e níquel, com uma temperatura comparável à da superfície do Sol, cerca de 5.400 °C. Este núcleo sólido está envolto por um manto fluido que contribui para a complexidade de seu movimento rotacional.

A relação entre a rotação do núcleo interno e o campo magnético da Terra é intrincada. A dinâmica entre o movimento do núcleo e as correntes elétricas geradas no manto fluido é responsável pela sustentação do campo magnético que protege nosso planeta de radiações nocivas do sol. Embora os detalhes precisos ainda sejam motivo de debate, é aceito que qualquer variação na velocidade de rotação do núcleo interno pode influenciar diretamente esse campo protetor.

*texto sob supervisão de Tomaz Belluomini

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