crescimento profissional

Dica para quem perdeu seu emprego

*Por José Renato.

Dica para quem perdeu seu emprego
“Após o baque da perda, nos cabe levantar imediatamente e seguir em frente” (Crédito: Canva Fotos)

Sou um desempregado desde 2009. Foi exatamente neste ano que pedi demissão de um importante cargo em uma das maiores construtoras do país. A decisão pela saída da empresa não estava relacionada com qualquer questão específica quanto ao meu crescimento profissional naquela instituição, em que pese existirem muitas questões que me incomodavam profundamente. Ao longo dos mais de 10 anos que lá fiquei, aprendi muito, ao desenvolver competências em tantos projetos e atividades das quais tive a oportunidade de atuar. Também conheci pessoas com as quais pude ter experiências únicas. Muitas delas me ajudaram a pontuar os melhores caminhos a trilhar, assim como outras que me sinalizaram alguns a não seguir. A vida corporativa é assim, cheia de coisas boas e não tão boas. O importante é ter a convicção que, sejam elas quais forem, há sempre um aprendizado.

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Confesso que, ao deixar para trás um importante nome como sobrenome, o da empresa onde atuava, precisei me adequar a um novo cenário. Corporativamente falando, abandonei de vez o José Renato da Camargo Corrêa para me transformar em quem sempre fui e serei, o José Renato Santiago. Em um primeiro momento, esta mudança foi dura demais, pois pude me certificar que muitos se aproximavam de mim principalmente por conta do meu antigo prestigioso sobrenome. Algo que talvez muitos, um dia, ainda irão concordar, basta que para isso saiam de seus empregos. Tão logo deixei meu emprego, as muitas chamadas que recebi foram de pessoas interessadas em saber o que tinha acontecido, na verdade saber os ‘babados’. Algumas para saber para onde eu iria. Nenhuma para perguntar como eu realmente estava me sentindo.

Passada uma semana, a frequência dos convites para um café, almoço ou um mero bate-papo caiu para quase zero. O pior era quando o interlocutor tomava a ciência que eu tinha deixado a empresa no meio da ligação que estranhamente caía, obviamente coisas que apenas a tecnologia pode explicar. Foram tempos bem duros, sobretudo do ponto de vista financeiro. De um mês para o outro, deixei de ter um salário interessante para buscar oportunidades, fossem elas quais fossem. Sim, passei por apuros e, confesso, foi bem difícil viver com eles. Junta-se a isso tudo, a própria cobrança de entes e amigos. Cheguei a entrar em um estado próximo à depressão. Me questionei muito sobre minha própria capacidade profissional. Cheguei a pensar que ela estivesse conectada a um emprego. Inicialmente, as oportunidades eram exíguas e pontuais. Precisei reconstruir um novo caminho e, até hoje, ele tem sido feito. Passaram meses e anos até que uma nova dinâmica se fizesse presente. O tempo acabou por trazer uma situação inusitada, aquelas pessoas, com as quais tive intensa relação, na época de meu sobrenome mais, digamos, rebuscado, voltaram a me acionar. De certa forma, diante minhas novas conquistas profissionais, passei a ser considerado um provedor de novas oportunidades. Receber os currículos de muitas delas, após um longo silêncio, foi bem estranho, mas, também, um aprendizado.

Diante disso, a batalha diária que vivo em prol das minhas atividades pessoais e profissionais, me permite afirmar, sem medo de errar, que sair de um emprego não é sequer uma perda, mas sim uma oportunidade de criar caminhos, verdadeiramente, perpétuos de crescimento. Após o baque da perda, nos cabe levantar imediatamente e seguir em frente. Isto não é mera crença, mas uma convicção.

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