Negociadores ucranianos e russos se encontram

Os negociadores se reuniram no Palácio Dolmabahçe, no centro de Istambul

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Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan (Crédito: Presidential Press Office via dia images via Getty Images)

Pela primeira vez em mais de duas semanas, nesta terça-feira (29), negociadores ucranianos e russos ficaram cara a cara. Eles o fizeram sobre uma toalha de mesa branca em uma longa mesa dentro de um palácio otomano do século 19 nas margens do Bósforo, recebidos pessoalmente pelo presidente Recep Tayyip Erdogan, que os cumprimentou em inglês com “bom dia”.

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Após mais de um mês de negociações, primeiro pessoalmente na Bielorrússia, depois nas últimas semanas por videoconferência, a diplomacia entre a Ucrânia e a Rússia paralela à guerra entrou em uma nova fase. O fato de as negociações terem se tornado mais sérias se refletiu no cenário, o palácio onde Erdogan, que manteve laços com Moscou e Kiev costuma realizar grandes eventos governamentais quando está em Istambul.

“Como membros das delegações, vocês assumiram uma responsabilidade histórica”, disse Erdogan aos delegados, dirigindo-se a eles de um pódio diante de uma obra de arte mostrando pássaros flutuando sobre os pontos de referência de Istambul. “Todo o mundo está esperando boas notícias de você.”

David Arakhamia, chefe da delegação ucraniana de nove pessoas, disse que realizar as negociações na Turquia foi uma “vitória” em si, porque a Turquia “é nosso amigo e parceiro”. As primeiras rodadas de conversas presenciais foram realizadas na Bielorrússia, o aliado mais próximo da Rússia.

Mas a Turquia, enquanto membro da OTAN, também está determinada a manter laços com a Rússia, recusando-se a aderir a sanções contra Moscou e mantendo conexões aéreas diretas com várias cidades russas. Erdogan disse que uma vez que o presidente Vladimir V. Putin da Rússia e o presidente Volodymyr Zelensky da Ucrânia estivessem prontos para se encontrar pessoalmente, a Turquia estaria pronta para recebê-los.

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Em imagens de vídeo da reunião distribuídas pela Turquia, as duas delegações não podiam ser vistas apertando as mãos, com os russos chegando depois que os ucranianos já estavam sentados. Mas eles conversaram em russo, como quando Arakhamia disse ao chefe da delegação russa, Vladimir Medinsky, que a garrafinha na mesa era desinfetante para as mãos; A resposta de Medinsky não foi totalmente audível, mas alguns meios de comunicação russos disseram que ele brincou: “Vodka, pensei”.

Os delegados russos usavam ternos, enquanto os ucranianos estavam vestidos mais casualmente, um com uma camisa de manga curta, outro com uniforme militar.

Os delegados se reuniram no Palácio Dolmabahçe, no centro de Istambul. Foi onde Mustafa Kemal Ataturk, fundador da Turquia moderna, morreu em 1938, e agora é usado em parte por Erdogan como um de seus escritórios quando ele está em Istambul.

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Também na sala enquanto Erdogan falava estava Roman Abramovich, o magnata dos negócios russo que teria viajado entre Moscou e Kiev para tentar levar as negociações adiante. Surgiram relatos de que ele e vários negociadores ucranianos foram vítimas de um possível envenenamento após sofrerem sintomas, incluindo problemas de visão, em rodadas anteriores de negociações. Abramovich sentou-se ao lado de Ibrahim Kalin, porta-voz de Erdogan.

*Por – Anton Troianovski — The New York Times

*Contribuição — Safak Timur.

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*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Perfil Brasil