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Médicos de postos de saúde de SP discutem paralisação

A categoria cobra pagamento de horas extras e contratação de mais profissionais

Médicos de postos de saúde de SP discutem paralisação
Victor Dourado, presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), que representa 100 mil médicos no Estado de (SP), onde 60 mil deles na capital paulista, foi quem confirmou (Créditos: Rodrigo Paiva/Getty Images)

Médicos da Atenção Primária à Saúde (APS), que atendem pacientes nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), da cidade de São Paulo, diante de equipes que estão desfalcadas pela Covid-19 e não recebem por suas horas extras, irão se reunir na noite desta quinta-feira (13), para discutir uma possível paralisação na próxima semana.

Victor Dourado, presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), que representa 100 mil médicos no Estado de (SP), onde 60 mil deles na capital paulista, foi quem confirmou. A Secretaria Municipal de Saúde foi procurada, porém ainda não se manifestou.

A prefeitura somava 1.585 profissionais afastados por conta da Covid-19 ou pela síndrome da gripe, na quinta-feira passada, (06). Novo balanço semanal deve ser divulgado nesta quinta. A rede municipal conta, hoje, com 94.526 profissionais, mas desde o começo de dezembro de 2021 houve um aumento no número de pessoas afastadas. Em relação aos pacientes, em novembro, houve registro de 111.949 atendimentos de síndrome gripal nas unidades municipais. O número pulou para 264.975 em dezembro, uma alta de 136%.

Além da sobrecarga com o crescimento de casos da Covid-19 e da influenza, o que faz gerar um crescimento da procura pelos serviços de saúde, os profissionais de saúde também estão ficando doentes. E os que ainda continuam trabalhando se queixam de exaustão e sobrecarga muito alta, desfalque que não está sendo reposto e ainda a manutenção de atendimento aos pacientes crônicos.

“A sobrecarga em cima deles está sendo feita sem o pagamento de horas extras. Essencialmente, o que os médicos pedem não é ampliação da jornada, mas que ela seja diminuída porque já estão no limite há um bom tempo. A categoria reivindica a contratação de profissionais para dar conta da demanda de atendimentos”, pontuou Dourado. Por esse motivo, desde o início da pandemia, muitos profissionais da atenção primária pediram demissão. “Ao longo de 2021, já apontamos para a necessidade de profissionais serem repostos, pensando na demanda represada – pacientes crônicos com outros problemas de saúde que estavam voltando ao sistema de saúde”, acrescentou.

Os profissionais vão definir durante a assembleia, se haverá mesmo uma paralisação. “Em caso positivo, vamos detalhar como será feita. Antes da reunião, esperamos conversar com a Secretaria Municipal de Saúde”, disse o presidente do Simesp.

Dourado defende reuniões com a Prefeitura para discutir as questões que envolvem a categoria. Segundo ele, entende-se tanto da Prefeitura quanto das Organizações Sociais de Saúde (OSSs), que fazem gestão de vários serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). Compreender de quem é a responsabilidade para solucionar o problema”, disse.

Conforme o sindicato, ao menos 50 UBSs visitadas pela entidade revelaram faltas nas últimas semanas. “A situação pode ser ainda mais grave em outras unidades. E mesmo quando a UBS está quase completa, parte dos funcionários é deslocada para cobrir outras unidades que estão mais desfalcadas”, afirmou.

Devido ao cenário que se encontra hoje, ele não descarta a possibilidade de um colapso do atendimento nas semanas seguintes.

“Até o momento o que está sendo sobrecarregado no sistema público de saúde da capital paulista é a porta de entrada do sistema, onde aqueles pacientes com sintomas leves ou moderados vão se apresentar primeiro. Mas, vamos ver ainda pacientes que se revoltam com o aumento do tempo de espera. Sem estrutura suficiente nem profissionais. Hoje há relatos de mais de quatro, cinco horas de espera. Isso tende a aumentar, porque estamos no começo da curva de crescimento de novos casos. Creio que teremos um aumento da demanda nos outros níveis de atendimento também, apesar do avanço da vacinação”, alerta Dourado.

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