*Por Lilian Coelho

Debate entre candidatos ao Governo de SP: muitos ataques e poucas propostas

O primeiro debate entre candidatos ao governo de SP gerou memes e reações nas redes sociais – não pelas ideias, mas pela falta delas. Sobraram provocações e ataques. Propostas, mesmo, foram relegadas a um segundo plano. Seria engraçado, se não fosse trágico.

Debate da Band ao Governo de SP
Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad (Crédito: Reprodução/ Band TV)

O que era pra ser um encontro político para o debate de propostas e ideias para melhorar a vida dos cidadãos acabou se transformando em troca de ofensas e provocações, que geraram diversos memes. Algumas respostas viralizaram. O clima tenso já era sentido no primeiro bloco.

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Seria engraçado se não fosse trágico, afinal de contas, o que está em jogo é a condução, pelos próximos 4 anos, de um estado como São Paulo.

Fernando Haddad (PT) fez a primeira provocação: ao responder sobre projetos para a educação, Haddad disse que a responsabilidade da esfera estadual é direta, “diferente do que disse  Rodrigo Garcia (PSDB) sobre o problema da cracolândia, ao dizer que a responsabilidade do governo estadual seria indireta”.

Depois, foi a vez de Tarcísio de Freitas (Republicanos), provocar o petista. Ao ser questionado sobre educação por Haddad – que aproveitou para lembrar que Tarcísio é do Rio de Janeiro – rebateu: “Quero fazer uma pergunta, mas para a plateia. Vão no Google e digitem ‘pior prefeito de São Paulo; depois vocês me contem”.

O governador Rodrigo Garcia foi o detentor da fala seguinte e escolheu Haddad para debater, mas o ex-prefeito (de 2013 a 2016) usou parte da resposta para responder à provocação de Tarcísio de Freitas, que é ex-ministro de Bolsonaro:

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“Rodrigo, antes de mais nada, como eu fui agredido aqui pelo Tarcísio, quem for ao Google, digita ‘genocida’. Vocês vão ter uma surpresa também pra saber quem matou mais de 600.000 brasileiros por não ter comprado a vacina quando ela lhe foi oferecida”, rebateu Haddad.

A sensação que fica para o eleitor é que a polarização em âmbito Federal ocupa a esfera estadual. Luís Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) foram lembrados a todo instante.

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A plateia foi um caso à parte e merece destaque (negativo, claro) ao se comportar quase como integrantes de torcidas opostas, fazendo de um espaço que seria destinado à troca de ideias um “Fla X Flu” político, com vaias, aplausos, gritos e até palpites nas respostas. Em determinado momento, durante fala de Haddad sobre investimento no estado, houve deboche e risadas altas. O candidato petista, então, se irritou e parou a resposta, pedindo que o tempo fosse reconsiderado. Um início de vaia foi ouvido por quem estava em casa.

Neste cenário, todos perdem: o candidato, que não apresenta seu plano de governo de forma clara, e o eleitor, que tem que escolher entre o mais ou menos raivoso diante das câmeras. Triste!

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Perfil Brasil