A ex-primeira-dama da República, Michelle Bolsonaro, receberá o título honorário de cidadã paulistana em uma cerimônia sediada no Theatro Municipal, no dia 25 de março. O vereador Rinaldi Digilio (União Brasil) foi autor da proposta, aprovada pela Câmara Municipal em novembro de 2023.
Geralmente, a solenidade acontece na própria Câmara. Porém, as salas do plenário que comportariam o número de convidados não estarão disponíveis no dia. “É comum que as sessões solenes ocorram fora da Câmara quando não há plenário disponível ou auditório que comporte o número de convidados em data específica. Esse é o caso do evento agendado para o dia 25 de março, pois tanto o Plenário quanto o Salão Nobre já tinham atividades previamente agendadas”, explicou a Câmara, em nota.
Para justificar seu pedido, por fim, Digilio afirmou que “Michelle é engajada em políticas sociais, com atenção especial para as doenças raras”. A ex-primeira-dama ainda não se pronunciou.
“Ultrajante”
A decisão da prefeitura não caiu bem com os partidos de esquerda. A deputada Erika Hilton (PSOL) entrou com uma ação para impugnar a medida, chamando-a de “ultrajante”. “Enquanto as UBSs de São Paulo estão sobrecarregadas durante uma epidemia de dengue, o Prefeio (sic) gastará o dinheiro dos nossos impostos pra homenagear uma pessoa investigada pela PF por desvio de bens públicos”, disse Hilton em suas redes sociais.
É ultrajante a notícia que Ricardo Nunes usará dinheiro público para homenagear Michelle Bolsonaro.
Enquanto as UBSs de São Paulo estão sobrecarregadas durante uma epidemia de dengue, o Prefeio gastará o dinheiro dos nossos impostos pra homenagear uma pessoa investigada pela PF… pic.twitter.com/aCTF6AjAQU
— ERIKA HILTON (@ErikakHilton) March 13, 2024
Erika não foi a única. Os vereadores Celso Giannazi, Carlos Giannazi e Luciene Cavalcante também protocolaram um pedido contra a solenidade. Eles afirmam, portanto, que trata-se de apropriação de um “bem público” por parte do prefeito Ricardo Nunes (MDB) para “beneficiar-se eleitoralmente”.
“Perseguição”, diz Nunes
“O Theatro Municipal tem cessão do espaço vago para várias atividades. Já foi cedido para a OAB, Ministério Público, instituição do funk, enfim, várias atividades”, afirmou o prefeito, que considera as ações do PSOL “perseguição”. “É porque ela é esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro“, disparou.
Ricardo Nunes também constatou que o processo ocorreu nos conformes da lei, que precisa de 37 votos favoráveis, dos 55 vereadores, para passar a solicitação de cidadania honorária. “Quem fez a homenagem é a casa do povo, câmara de vereadores de São Paulo”, disse.