Washington X Pequim

Biden diz que China ‘flerta com o perigo’ e reafirma compromisso de defender Taiwan

A declaração de Biden contraria o posicionamento tradicional de Washington definido como “ambiguidade estratégica”.

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(Crédito: Chip Somodevilla/Getty Images)

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse nesta segunda-feira (23) que seu país irá defender Taiwan caso a China ataque a ilha. Para o líder norte-americano, Pequim está “flertando com o perigo” ao sobrevoar, durante exercícios militares, o território que considera uma província rebelde. A declaração de Biden foi dada durante uma entrevista coletiva ao lado do premiê do Japão, Fumio Kishida.

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O jornalista que fez a pergunta à Biden comparou o possível envolvimento de Washington em um cenário de conflito na ilha à posição americana na Guerra da Ucrânia. “O senhor não queria se envolver militarmente no conflito da Ucrânia por razões óbvias. Está disposto a se envolver militarmente para defender Taiwan se for necessário?”

A resposta de Biden foi simples e objetiva: “Sim. Esse é o compromisso que assumimos”, afirmou. “Nós concordamos com a política de uma só China, nós aderimos a ela e a todos os acordos feitos a partir daí. Mas a ideia de que Taiwan pode ser tomada à força não é apropriada.”

A fala contraria em partes o posicionamento tradicional de Washington definido como “ambiguidade estratégica”. Por meio dessa abordagem, os EUA têm um acordo de fornecimento de armas e outros tipos de assistência à ilha e se dizem comprometidos a garantir que a ilha possa se defender, mas não contestam formalmente a alegada soberania de Pequim em relação a Taiwan.

A “ambiguidade” referida na expressão está no fato de que a resposta dos EUA a um eventual cenário de conflito não está clara. A lei americana de 1979 que rege as relações entre Washington e Taipé estabelece que “o presidente e o Congresso determinarão a resposta apropriada a qualquer perigo”.

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Além de afirmar que os EUA “têm um compromisso” com Taiwan, Biden reafirmou o poderio militar de seu país em uma fala interpretada como provocação aos principais adversários geopolíticos de Washington. “China, Rússia e o resto do mundo sabem que somos os militares mais poderosos da história.”

 

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