estudo global

ONU: Escravidão moderna atinge 50 milhões de pessoas

Até 2030, a ONU pretende erradicar todos os tipos de escravidão moderna. 

ONU: Escravidão moderna atinge 50 milhões de pessoas
(Crédito: Canva Imagens)

Nesta segunda-feira (12), a Organização das Nações Unidas (ONU) , junto com a Fundação Walk Free divulgou um relatório que mostra que em torno de 50 milhões de indivíduos estão submetidos a situações análogas à escravidão por meio de trabalhos e casamentos forçados. Os números aumentaram quase 10 milhões desde o estudo anterior, de 2016. Isso significa que, em média, praticamente um a cada 150 habitantes de todo o mundo sofre com esses crimes.

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Até 2030, a ONU pretende erradicar todos os tipos de escravidão moderna. 

“É chocante que a situação da escravidão moderna não esteja melhorando. Nada pode justificar a continuidade desse abuso de direitos humanos fundamentais”, diz Guy Ryder, chefe da Organização Internacional para o Trabalho (ILO), uma das agências da ONU que atuou no estudo, em conjunto com a Organização Internacional para as Migrações (IOM). 

De acordo com o estudo,  o crescimento da escravidão moderna é uma das consequências da pandemia de covid-19 e a resultante crise sanitária global.

Outros motivos são as mudanças climáticas e os conflitos armados, que igualmente provocaram “uma disrupção sem precedentes para o emprego e a educação, aumentando a pobreza extrema e a migração arriscada e forçada”, cita o relatório.

Os dados apontam que trabalhadores migrantes têm três vezes mais chances de se envolverem com trabalhos forçados do que os que não precisam migrar. “Este relatório destaca a urgência de garantir que toda migração seja segura, ordenada e regulamentada”, afirmou António Vitorino, que comanda a OIM. 

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O estudo também indica que 14% dos escravos modernos estariam realizando trabalhos forçados impostos por autoridades. 

Mais da metade dos casos de trabalhos forçados e um quarto dos casamentos forçados são registrados em países de renda média alta ou muito alta. 

A ONU estima que o número de adultas ou meninas forçadas a se casarem cresceu 6,6 milhões desde 2016. De um total de 3,3 milhões de crianças, pelo menos a metade estaria sofrendo exploração sexual. 

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Copa do Mundo 

O relatório também menciona o Catar, sede da Copa do Mundo 2022, marcada para novembro e dezembro. O país tem sido acusado de violar direitos trabalhistas, principalmente de migrantes que atuaram nas construções de estádios e outras áreas destinadas ao evento.

Por outro lado, a ONU afirma que houve um “significativo progresso” nas condições de vida e de trabalho para centenas de milhares de migrantes no país, principalmente depois que a ILO abriu um escritório na capital Doha. 

O diretor executivo da Copa do Mundo 2022, Nasser Al Khater, na última quinta-feira, afirmou que, em relação ao evento, o Catar estaria sofrendo numerosas críticas sem embasamento, e que teria respondido a toda e qualquer crítica justa. 

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