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Entenda como funciona a ECMO, terapia com órgãos artificiais utilizada no tratamento de Paulo Gustavo

Tratamento, indicado a pacientes graves, promove a sobrevida nos casos em que o funcionamento dos pulmões ou coração está comprometido

Paulo Gustavo
Paulo Gustavo (João Miguel Júnior/Globo)

Considerado um equipamento de alta complexidade, a ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea) funciona como um coração ou pulmões artificiais. Com o avanço dos casos de Covid-19 no Brasil, o aparelho se tornou uma alternativa importante no tratamento de pacientes graves, como no caso do humorista Paulo Gustavo, submetido ao procedimento.

Segundo a Dra. Fernanda Masteguim, responsável médica pelas UTIs do Hospital Guilherme Álvaro, gerenciado pelo Centro de Estudos “João Amorim” (CEJAM), em Santos (SP), quando há uma lesão pulmonar grave, o ventilador mecânico não consegue gerar a oxigenação adequada do sangue. Nestes casos, a ECMO é a opção recomendada.

Como funciona?

A médica ressalta que a ECMO é uma modalidade de suporte de vida indicada para situações em que ocorre a falência respiratória ou cardíaca. “Através de um sistema de tubos acoplado a uma bomba e um oxigenador, o sangue venoso é retirado e oxigenado em uma membrana, para depois ser injetado novamente no paciente.”

Dra. Fernanda explica que a ECMO pode funcionar em duas modalidades: veno-venosa ou veno-arterial. “A primeira é recomendada em casos de insuficiência respiratória, quando há uma deficiência na oxigenação ou retenção de gás carbônico, que podem ocorrer em pacientes com Covid-19 ou H1N1, por exemplo, ou ainda em condições crônicas.”

Já a ECMO veno-arterial é aplicada quando há falência cardíaca, em casos de infarto no miocárdio ou embolia pulmonar maciça, por exemplo.

Quem pode receber a técnica?

A técnica, que pode ser utilizada em pacientes de qualquer idade, permite a sobrevida enquanto a equipe realiza outras intervenções terapêuticas nos órgãos afetados, a fim de aumentar as expectativas de retomar seu funcionamento adequado, ampliando as chances de cura.

“ECMO é uma alternativa de suporte de vida transitória, ou seja, deve ser aplicada quando há chances de recuperar o funcionamento destes órgãos, nunca como um tratamento definitivo”, afirma a médica.

Esse foi um dos critérios que permitiu a realização da técnica pelo SUS no Hospital Guilherme Álvaro. Um dos pacientes, de 55 anos, em tratamento de Covid-19, recebeu o equipamento após avaliação coordenada entre as equipes da unidade e o InCor (Instituto do Coração) do Hospital das Clínicas da FMUSP, que realizou o procedimento e acompanhou a evolução do caso.

“O processo foi muito rápido, cerca de 12 horas após o início da discussão do caso o paciente já estava com a ECMO em funcionamento”, exemplifica a especialista.

Há riscos?

Além do risco de infecção comum a todos os procedimentos que utilizam tubos acoplados ao corpo, pode ocorrer a formação de coágulos ou bolhas de ar, causando hemorragia ou lesões em outras partes do corpo.

“O monitoramento é fundamental para que, nesses casos, a intervenção seja imediata”, destaca a Dra. Fernanda.

Por ser um método de alta complexidade, a aplicação da tecnologia ECMO requer uma equipe de profissionais qualificados e muito bem treinados, incluindo cirurgião cardíaco ou torácico, enfermeiros e um time de intensivistas. Dessa forma, é necessário que o hospital conte com uma estrutura avançada de intervenção para garantir maior segurança e precisão no alcance de resultados favoráveis.

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