Corrupção na educação

Cármen Lúcia pede que PGR apure interferências na investigação do MEC

MPF e PF acreditam que Jair Bolsonaro pode ter alertado Milton Ribeiro sobre sua apreensão.

Cármen Lúcia falando ao microfone
Ministra diz que vê gravidade em denúncia de interferência (Créditos: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

A ministra do STF, Cármen Lúcia, encaminhou hoje (6) para a PGR um documento em que pede análise sobre suposta interferência de Jair Bolsonaro (PL) nas investigações do MEC. Por enquanto, o Presidente não é alvo das investigações. A PGR ainda irá se posicionar sobre os indícios de interferência.

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O caso gira em torno de uma conversa telefônica vazada entre o ex-ministro da educação Milton Ribeiro e sua filha, na qual ele afirma que Bolsonaro o teria informado de um “pressentimento” de que Ribeiro poderia ser atingido de alguma forma. Para a Justiça Federal de Brasília e a PF, a conversa representa indícios de vazamentos de informações sobre as investigações para o ex-ministro.

Em carta, o delegado da PF responsável pelo caso, Bruno Calandrini, afirmou: “Nos chamou a atenção a preocupação e fala idêntica quase que decorada de MILTON (…) sobretudo, a precisão da afirmação de MILTON ao relatar à sua filha JULIANA que seria alvo de busca e apreensão, informação
supostamente obtida através de ligação recebida do Presidente da República.

Outro pedido de investigação semelhante partiu do ministro Alexandre de Moraes na terça-feira passada (28). Moraes aprovou um pedido feito pelo Senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) em que o Presidente era acusado de interferir nas investigações e obstruir a justiça.

Em resposta, a Advocacia Geral da União (AGU) recorreu ao Supremo para a suspensão do pedido de Cármen Lúcia à PGR. A alegação é de que já outro inquérito sob responsabilidade de ministra que investiga a mesma suposta interferência, o que configura duplicidade na investigação.

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