ANÁLISE

Bolsonaro no Jornal Nacional: Qual a imagem que fica após a entrevista?

Um Bolsonaro mais tranquilo e ponderado, com mais tempo para falar suas propostas e respeito às regras de civilidade. Sobre a crise econômica, culpou a pandemia e a guerra da Rússia com a Ucrânia.

Bolsonaro no Jornal Nacional
(Crédito: Reprodução/TV Globo)

Um Jair Bolsonaro (PL) mais manso, diferente do ‘padrão 2018’. A impressão que fica, principalmente para seu eleitores, é que o objetivo foi conquistado diante dos questionamentos de William Bonner e Renata Vasconcellos. Ali, ele estava para mostrar esse lado menos agressivo. Nas redes sociais, as críticas tiveram como foco a dupla de apresentadores, que foram chamados de ‘arrogantes e debochados’, como fez o ministro da Comunicação Fabio Faria no Twitter.

Publicidade

Roteiro agressivo com apresentadores arrogantes e debochados.
Tivemos um Presidente sereno que mostrou que o Brasil está em boas mãos e rumo à reeleição.
Vamos lá, Capitão, estamos com vc!!
🇧🇷🇧🇷🇧🇷

— Fábio Faria 🇧🇷🇧🇷🇧🇷 (@fabiofaria) August 23, 2022

De forma geral, que se viu foi uma entrevista moderada, com um tom mais ameno, mas que começou com clima de tensão, com Bonner perguntando ao candidato sobre xingamento a autoridades do Supremo Tribunal Federal, dúvidas quanto à lisura das urnas e clima de instabilidade institucional alimentado pelo candidato. “O que o senhor pretendeu? Criar ambiente que propiciasse um golpe?“, perguntou o apresentador Bonner, já na largada.

Publicidade

Na resposta, Bolsonaro defendeu-se, afirmando que não existe isso “de xingar ministros”. Completou, dirigindo-se a Bonner: “Você começou a entrevista fazendo fake news, eu não xinguei ministros”. Na sequência, Bonner lembrou que o candidato chamou um ministro de “canalha”. “Isso não é xingar?”, rebateu Bonner. No ano passado, o chefe do Executivo realmente chamou o ministro do STF, Alexandre de Moraes, de “canalha”… E teve mais xingamento:  já chamou o ministro Luís Roberto Barroso de “filho da p*”.

Nada de fake news.

Sobre as ameaças à democracia e ao resultado das eleições, Bolsonaro disse que respeitaria se os resultados fossem justos. Não foi firmado um compromisso ali. Quanto às relações com o Supremo Tribunal Federal, o candidato afirmou que, “pelo que tudo indica”, a relação com o ministro Alexandre de Moraes está “pacificada”.

Publicidade

“Tenho certeza de que o ministro Alexandre de Moraes vai chegar a bom termo nessa questão das eleições. Teremos eleições limpas”, disse.

Quando o assunto foi pandemia, Bolsonaro disse que as pessoas se contaminaram mais ficando em casa do que saindo de casa e falou de medicamentos pouco eficazes em uma suposta prevenção da Covid-19. Afirmou, respondendo à apresentadora, que não imitou uma pessoa com falta de ar em decorrência da Covid. Os vídeos (verdadeiros) que circulam na internet mostram que, sim, imitou.

Quanto à economia,  Bolsonaro disse que as promessas de 2018 foram frustradas pela pandemia e pelo conflito da Rússia com a Ucrânia. “Os números da economia são fantásticos em relação ao resto do mundo

Publicidade

No decorrer dos 40 minutos, Bolsonaro disse que o importante é ter um governo sem corrupção. Elogiou alguns ministros, como Onyx Lorenzoni, Tereza Cristina, entre outros… Diante dessa deixa, Renata Vasconcellos lembrou o escândalo (de corrupção) envolvendo o ministro da Educação Milton Ribeiro.

O que chamou a atenção foi que Bolsonaro não fez críticas diretas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu principal adversário nesta disputa. Fez críticas à administração anterior, mas não focou no nome de Lula.

Um Bolsonaro mais comedido, menos agressivo e com anotações na palma da mão (com as palavras Nicarágua, Argentina, Colômbia e Dario Messer). Dos seus eleitores, recebeu aplausos. Em algumas cidades, panelaços foram ouvidos durante a entrevista. E você, o que achou?

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Perfil Brasil