
O que explica a falta de candidatos de partidos de Esquerda em alguns municípios? Pergunta difícil de responder. Porém, dados recentes mostram que as dinâmicas locais das eleições municipais têm um impacto profundo e único, confirmando a máxima de que “a política local impera”. Esse fenômeno é particularmente evidente em estados como Piauí e Bahia, onde há uma discrepância notável entre a votação presidencial e a presença de candidatos locais de esquerda.
Segundo levantamento do site Uol, no Piauí, onde Lula teve uma vitória expressiva na última eleição presidencial com 76,86% dos votos, a esquerda deixou de disputar cargos em 15 municípios este ano, representando 6,7% do total. Essa ausência é notável, considerando o apoio maciço à esquerda no voto presidencial.
Esquerda sem participação relevante
Na Bahia, uma situação semelhante é observada. Apesar de ser um bastião do PT há 17 anos, onde Luiz Inácio Lula da Silva (PT) consolidou 3,7 milhões de votos a mais do que Jair Bolsonaro, a esquerda não aparece nas urnas em 17 municípios baianos (4%) este ano. Este dado é intrigante, especialmente em um estado onde a esquerda venceu em 415 de 417 cidades na última eleição presidencial.
No entanto, a análise revela que essa ausência de candidatos de esquerda não é uma tendência nacional uniforme. Existem estados como Amapá, Espírito Santo e Roraima, onde a esquerda conseguiu garantir candidaturas em todas as cidades. Curiosamente, Lula perdeu para Bolsonaro nesses estados, o que desafia a lógica de uma correlação direta entre sucesso presidencial e presença local.
Política local X Política Nacional
Para entender essa diferença, é essencial considerar diversos fatores:
- Recursos Locais: Muitas vezes, partidos nacionais não conseguem destinar os recursos necessários para campanhas locais, refletindo em menos candidatos.
- Capacidade Organizacional: A presença de uma infraestrutura partidária forte em determinados estados pode variar drasticamente.
- Cultura Política Regional: As preferências políticas podem ser substancialmente diferentes em nível local comparado ao nacional.
- Dinâmicas de Coalizão: Em muitos casos, acordos locais e regionais influenciam a distribuição de candidaturas.
Partidos de Direita: Como são afetados?
No campo da direita, o cenário é igualmente complexo. Partidos como PL, PP, Republicanos, Novo, PRTB e União Brasil enfrentam desafios semelhantes em diferentes regiões. No Nordeste, por exemplo, 227 municípios não tiveram candidatos desses partidos, com o Piauí apresentando o índice mais alto, com 36% das cidades sem candidatos de direita.
Essa falta de representatividade em áreas estratégicas pode ser atribuída à falta de infraestrutura partidária robusta e ao menor apelo dessas legendas em determinadas regiões, comparado à esquerda.
Estudo de Caso: Santa Catarina
A reportagem do UOL visitou Timbé do Sul e Turvo, no extremo sul catarinense, para ilustrar a dificuldade da esquerda em se eleger em certas regiões. Nestes municípios, candidatos do PT encontram resistência significativa durante as campanhas de porta em porta, destacando a maior capilaridade da direita e as dificuldades explícitas enfrentadas pela esquerda.
Esses casos ressaltam como, apesar das vitórias em nível nacional, a luta política local continua a ser um campo de batalha distinto e desafiador para muitos partidos no Brasil.
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