Vírus continuará a circular sem controle, caso vacinação continue baixa, diz diretor da OMS

“O mundo não estará preparado para terminar a pandemia se não garantirmos acesso equitativo às vacinas”, diz diretor

Vírus continuará a circular sem controle, caso vacinação continue baixa, diz diretor da OMS
Um dos países mais desenvolvidos do continente, a África do Sul, para conseguir ter acesso às vacinas está tendo muitas dificuldades (Créditos: Leon Neal/Getty Images)

Em países mais pobres a vacinação em baixa escala é algo muito perigoso para todos da população mundial; isso está relacionado à concentração de vacinas em países mais desenvolvidos.

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A mensagem é de Jarbas Barbosa, diretor adjunto da Opas/OMS (Organização Pan-Americana da Saúde).

Barbosa salienta que o acesso é muito pequeno à vacinação em países como Botsuana, Onde a variante do coronavírus foi detectada pela primeira vez, além nações como Essuatíni, Lesoto, Namíbia e Zimbábue, o registro da nova variante é por causa do baixo acesso que tem à vacinas.

Jarbas Barbosa diz que, “enquanto deixarmos continentes e países com baixíssima cobertura vacinal, o vírus circulando sem controle, isso pode levar ao surgimento de novas variantes”.

“O mundo não estará preparado para terminar a pandemia se não garantirmos acesso equitativo às vacinas. A África só vacinou até agora cerca de 7% com a primeira dose, cerca de 5% com as duas doses”, diz o diretor.

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Um dos países mais desenvolvidos do continente, a África do Sul, para conseguir ter acesso às vacinas está tendo muitas dificuldades.

“A África do Sul, país que mais vacina na África, atingiu mais de 23% da sua população completamente vacinada”, concluiu Barbosa.

A OMS fez um levantamento nesta segunda-feira (29) e foi falado pelo diretor-geral, Tedros Adhanom, que os países mais ricos têm 80% das vacinas concentradas.

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“Mais de 80% das vacinas mundiais foram para países do G20; países de baixa renda, a maioria deles na África, receberam apenas 0,6% de todas as vacinas”, disse Tedros.

A nova variante Ômicron é classificada a quinta na escala “de preocupação” reforçou o diretor da Opas/OMS, mas os detalhes da sua letalidade e o quanto é a sua transmissão, só será possível dizer como o avanço dos contaminados, o que pode levar “dias ou semanas”.

“Só vamos ter uma segurança sobre o verdadeiro impacto quando tivermos o estudo em população, ou seja, quando olharmos os dados em população e verificar se ela está transmitindo de maneira mais rápida, como os dados da África do Sul estão sugerindo, e se ela mantém a capacidade de gerar mais casos graves ou não”, diz.

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Serão comparados em estudos a saúde de pessoas internadas com a nova variante a evolução da doença entre os vacinados e mais vacinados. Assim como foi com as outras variantes “de preocupação”, a medida mostra eficácia dos imunizantes contra a nova variante Ômicron.

A variante que provocou a quarta onda, Barbosa diz que a Delta, diminuiu um pouco a efetividade das vacinas, mas mesmo com essa diminuição os imunizantes continuam tendo boa eficácia.

Ele diz que, para conseguir ver a eficiência das vacinas contra a nova variante, é preciso de mais tempo, mas que assim como ocorreu no caso da Delta, é possível que haja uma redução das vacinas contra essa nova variante também.

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“As vacinas continuarão a proteger. Pode ser que haja uma redução da efetividade de 90% para 80%, mas elas continuarão a ser a melhor maneira de se proteger contra a variante”, disse Barbosa.

Os voos para países que a nova variante foi detectada já foram suspensos, mas mesmo assim, para conter a disseminação é um tempo limitado, até o momento que as vacinas são uma prioridade nos países.

“Não é muito provável que a limitação de voos seja efetiva. O que é efetivo é ter boa vigilância, aumentar rapidamente a vacinação e garantir que seja equitativa”.

Ele salienta ainda sobre a importância de manutenção das medidas sanitárias básicas. “Medidas como o uso de máscaras e evitar aglomerações continuam sendo as melhores maneiras de combater a nova variante do vírus Sars-Cov-2”.