golpe antigo

Criminosos utilizam IA para simular sequestro de filha de empresário; veja precauções

Um companheiro de trabalho percebeu o que estava acontecendo e ligou para a garota, confirmando que ela estava na escola

O dono de uma loja de utensílios domésticos viveu momentos de terror após atender uma ligação que alegava o sequestro de sua filha e ouvir sua voz clamando por sua ajuda. Na chamada, ela afirma que foi sequestrada e necessita de resgate.
Kein David e sua filha, Brooke – Créditos: WCPO/Reprodução

O dono de uma loja de utensílios domésticos viveu momentos de terror após atender uma ligação que alegava o sequestro de sua filha e ouvir sua voz clamando por sua ajuda. Na chamada, ela afirma que foi sequestrada e necessita de resgate. O telefone é logo passado para um criminoso, que pede US$ 5 mil, senão começaria a machuca-la.

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“Era a voz de Brooke”, afirmou Kevin David ao jornal WCPO, de Cincinnati. “Ela começou muito calma e lenta e disse ‘pai, é a Brooke'”, completou o empresário. Para sua sorte, um companheiro de trabalho percebeu o que estava acontecendo e ligou para a garota. Quando souberam que ela ainda se encontrava na escola, identificaram que não se passava de um golpe.

Esse tipo de manobra criminosa não é recente. Há décadas, pessoas recebem ligações afirmando que um de seus parentes foi sequestrado. Só que o advento de ferramentas que utilizam inteligência artificial para coletar e emular atividades humanas acinzentou a linha entre a ficção e a realidade de um sequestro. “Eles tinham a voz dela, o nome dela, meu nome”, relatou David, afirmando que nunca pensou que “cairia numa dessas”.

Sequestro virtual

Criminosos vêm treinando ferramentas de reconhecimento de voz, coleta de dados sociais e deepfake para tornar seus golpes cada vez mais precisos. Ferramentas como “VoiceLab” e até “ChatGPT” precisam de poucas fontes, como vídeos de redes sociais, para processar os detalhes sonoros da voz humana e replicá-la cada vez mais fielmente. Isso, posteriormente, pode ser abusado pelos criminosos, que conseguem simular uma criança chorando, por exemplo.

Agregando-se a isso, a abundância de dados pessoais que as próprias pessoas postam em suas redes sociais, revelando rotinas, localizações e futuras viagens, facilitam a pesquisa e filtragem dos bandidos na escolha de sua vítima. Assim, eles escolhem um perfil mais abastado e programam algum horário no qual os parentes estão constantemente separados.

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Precauções

Amy Nofziger, da Associação Americana de Pessoas Aposentadas (AARP, em inglês) avisa que os golpes não são mais aplicados apenas nos idosos.

Para não cair em uma cilada, ela ressalta a importância de não divulgar dados pessoais, como localização e planos para futuras viagens, nas redes.

Outra medida é o estabelecimento de uma “senha” entre os familiares para que, em situações de risco, seja mais fácil identificar a verossimilhança da pessoa.

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Por fim, se alguém eventualmente receber uma ligação deste tipo, Amy aconselha a calma e percepção de alguns detalhes que revelam a natureza do golpe, como o modo de pagamento solicitado pelo meliante. Além disso, é recomendável a tentativa de contato com o parente supostamente sequestrado, seja por ligação ou mensagem de texto.

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