Áudios de suspeitos são interceptados pela polícia falando dos garotos de Belford Roxo

O suspeito falava sobre as mortes de traficantes que poderiam estar envolvidos no caso dos garotos

Áudios de suspeitos são interceptados pela polícia falando dos garotos de Belford Roxo
A Polícia Civil, está em operação na comunidade para concluir o inquérito sobre a morte e o sumiço dos meninos, estão na região para cumprir 56 mandados de prisão (Créditos: Bruna Prado/Getty Images)

Áudios de suspeitos de serem traficantes falando sobre a morte das três crianças de Belford Roxo, são interceptados pela Polícia Civil, durante as investigações sobre o sumiço dos garotos. Na manhã desta quinta-feira (9), a corporação está fazendo uma operação na qual está cumprindo mais de 30 mandatos e já resultou em pelo menos 18 prisões.

Publicidade

O suspeito de ser traficante, em um dos áudios fala sobre o Victor Hugo dos Santos Goulart, conhecido como VT ou Vitinho, como “otário” e pessoa de sorte “pois iria morrer pelos traficantes” e afirma que ele “meteu o pé porque viu que estava morrendo geral no tribunal do tráfico”.

Aí, tu tá vendo a Record? – 

Tô vendo. O otário deu sorte de não morrer na nossa mão, por isso que ele se entregou, porque nós é que ia matar ele. 

– Quem é esse cara? – É o VT, o Vitinho, que é a frente do Castelo e meteu o pé, viu que tava morrendo geral e se entregou.

Publicidade

– Esse daí que é o VT? – É. -É ele, é ? – É ele, é ele.

O suspeito falava sobre as mortes de traficantes que poderiam estar envolvidos no caso dos garotos.

Em mais uma conversa, a polícia identificou outra citação a VT entre duas mulheres.

Publicidade

– Não tem o VT do Castelar? VT se entregou. 

– Pra quem? Pra polícia? 

– Se entregou para a polícia. Ele se entregou para não morrer na mão do tribunal do tráfico. 

Publicidade

– Só que ele pode morrer até na cadeia.

Victor Hugo dos Santos Goulart, conhecido como VT, foi preso pela DHBF no mês passado, em Cabo Frio, na Região dos Lagos, e não resistiu à prisão. VT é apontado pela polícia como um dos gerentes do tráfico na comunidade do Castelar.

Ele dividia seu cargo com Willer Castro da Silva, o Estala, segundo a Polícia Civil, condenado à morte pelo tribunal do tráfico, em setembro. A suspeita é que Estala tenha sido executado no Complexo da Penha, na zona norte do Rio, como queima de arquivo

Publicidade

Outros áudios 

Segundo o Uol, a Polícia Civil teve acesso a conversas entre dois possíveis traficantes do Complexo do Castelar, um afirma estar sendo incriminado pela morte dos meninos.

Me colocaram como suspeito da morte das crianças também. Não viu não, na televisão?”, pergunta um deles, no áudio exibido pela emissora. O outro responde: “E tu não quis nem bater. Lembra?”.

Até o momento a Polícia não identificou os homens dos áudios.

A operação 

A Polícia Civil, está em operação na comunidade para concluir o inquérito sobre a morte e o sumiço dos meninos, estão na região para cumprir 56 mandados de prisão. Até agora 18 já foram presas. Outras 15 tiveram mandados cumpridos na prisão.

Em 27 de dezembro de 2020, Lucas Matheus, Alexandre da Silva e Fernando Henrique desapareceram quando saíram para jogar futebol e nunca mais foram vistos. Segundo a DHBF (Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense), o crime foi motivado pelo furto de uma gaiola com passarinho. 

De acordo com a polícia, um dos chefes do tráfico da região pediu autorização para matar a tiro, mas não disse que eram crianças. A polícia começou a investigar a suspeita de mortes de traficantes como punição ao caso dos garotos.