corrupção no MEC

Delegado aponta ‘interferência’ no caso Milton Ribeiro, e PF manda abrir apuração interna

Por ordem judicial, Ribeiro deveria ter sido transferido para Brasília, mas permaneceu em SP até conseguir ser solto.

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O ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro (Crédito: Andressa Anholete/Getty Images)

A Polícia Federal (PF) divulgou uma nota nesta quinta-feira (23) anunciando a abertura de um procedimento interno para apurar “boatos de possível interferência” na operação que levou à prisão o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro.

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Na nota, a PF não esclarece o que seria a “possível interferência”. “Considerando boatos de possível interferência na execução da Operação Acesso Pago e objetivando garantir a autonomia e a independência funcional do Delegado de Polícia Federal, conforme garante a Lei nº 12.830/2013, informamos que foi determinada a instauração de procedimento apuratório para verificar a eventual ocorrência de interferência, buscando o total esclarecimento dos fatos”, diz o texto da nota.

Entretanto, o delegado Bruno Callandrini, através de mensagem enviada a colegas da PF, disse que que houve “decisão superior” para que Ribeiro não fosse transferido para Brasília, conforme determinação judicial emitida na quarta-feira por um juiz federal. O jornal ‘Folha de S.Paulo’ teve acesso a mensagem e divulgou a informação nesta quinta-feria (23).

Em razão da “decisão superior”, escreveu o delegado, ele deixou de ter “autonomia investigativa e administrativa para conduzir o Inquérito Policial deste caso com independência e segurança institucional”.

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“Falei isso ao Chefe do CINQ [Coordenação de Inquérito nos Tribunais Superiores, da Polícia Federal ontem, após saber que, por decisão superior, não iria haver o deslocamento de Milton Ribeiro para Brasília e manterei a postura de que a investigação foi obstaculizada ao se escolher pela não transferência de Milton a Brasília à revelia da decisão judicial”, escreveu o delegado na mensagem.

De acordo com o delegado, foram concedidas ao ex-ministro “honrarias não existentes na lei”. “O principal alvo, em São Paulo, foi tratado com honrarias não existentes na lei, apesar do empenho operacional da equipe de Santos que realizou a captura de Milton Ribeiro, e estava orientada, por este subscritor, a escoltar o preso até o aeroporto em São Paulo para viagem a Brasília”, escreveu.

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