Nos últimos 12 meses, o Ibama confiscou equipamentos da Starlink, a empresa de internet via satélite de Elon Musk, em aproximadamente 20 garimpos ilegais na Amazônia. Foram encontrados pelo menos 32 dispositivos durante operações contra o garimpo entre abril de 2023 e março de 2024 em várias áreas de mineração ilegal em quatro estados. A informação é do UOL.
Embora o número real de antenas possa ser maior, os dados indicam que o Ibama apreendeu mais de 90 aparelhos de internet no último ano, com a maioria não identificada por marca.
Estima-se que a grande maioria dos garimpos ilegais tenha adotado a Starlink como sua opção preferencial devido à qualidade e velocidade do sinal, especialmente em áreas rurais ou remotas.
Esses equipamentos da empresa de Musk foram encontrados em locais críticos, incluindo a Terra Indígena Yanomami e o Vale do Javari, onde ocorreram incidentes graves no passado.
Em nota enviada ao UOL, o Ibama afirmou que “tem sido comum encontrar antenas da Starlink em garimpos“. “As antenas encontradas são apreendidas e, quando não é viável removê-las devido à falta de acesso por estradas, são destruídas pelos fiscais. A Starlink já tem praticamente o monopólio da comunicação do crime ambiental na Amazônia. Para usar internet em uma área remota, como um garimpo, ela tem menor custo e é bem mais rápida e prática do que as concorrentes, que desapareceram. Todo acampamento de criminosos hoje tem uma antena da Starlink“, informou o documento.
Empresa de Musk tem crescido no Brasil
Em um período de um ano, a Starlink registrou um crescimento significativo no Brasil, multiplicando por mais de sete o número de usuários. De acordo com dados da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), a empresa contava com 19.705 antenas em funcionamento no país em fevereiro de 2023, e esse número saltou para 149.115 em fevereiro de 2024.
Atualmente, a Starlink opera exclusivamente no mercado privado brasileiro. Embora o Exército, a Marinha e alguns tribunais tenham adquirido os serviços de internet através de fornecedores terceirizados, a empresa não firmou contratos públicos nem participou de licitações no país.
Segundo o Ibama, a alta velocidade de conexão oferecida pela Starlink dificulta o combate aos garimpos ilegais, pois permite que os garimpeiros se comuniquem rapidamente e se organizem para fugir antes da chegada dos fiscais. Além disso, o tamanho compacto dos equipamentos proporciona mobilidade ao crime, sendo encontrados em diversos locais, como acampamentos, escavadeiras e até mesmo aeronaves, facilitando a vigilância em áreas remotas.
O Ibama também disse em nota que está “trabalhado em conjunto com órgãos federais para estudar formas de bloquear o sinal da Starlink em áreas de mineração ilegal“. No entanto, a Anatel afirma que não é viável restringir o serviço da empresa em regiões específicas devido à cobertura satelital abrangente da empresa em todo o Brasil.
* Matéria publicada com supervisão de Ricardo Parra.