Câmara dos Deputados do Chile aprova abertura de impeachment contra o presidente Sebastián Piñera

Pedido de impeachment foi formalizado após vazamento de documentos pelo Pandora Papers

Câmara dos Deputados do Chile aprova abertura de impeachment contra o presidente Sebastián Piñera
Sebastián Piñera, presidente do Chile, em discurso oficial (Crédito: Spencer Platt/ Getty Images)

A Câmera dos Deputados do Chile aprovou nesta terça-feira (9) a abertura do processo de impeachment do presidente do Chile, Sebastián Piñera. Ele é acusado de ter vínculo com a venda da empresa mineradora, a Dominga, nas Ilhas Virgens, um paraíso fiscal, segundo revelado pela investigação internacional chamada de Pandora Papers.

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A aprovação do impeachment aconteceu após horas de discussão com 78 votos favoráveis. Agora, o caso avançou para o Senado e precisa do aval de dois terços dos parlamentares, ou seja, 29 senadores precisam aprovar a denúncia. Na Câmara a votação foi vencida por maioria simples.

Após notificação formal da Câmara, o Senado terá um prazo de até seis dias para agendar a votação. Caso o pedido de impeachment seja aprovado nas duas casas, Sebastián Piñera será retirado do cargo e não poderá exercer funções públicas por cinco anos.

O pedido de impeachment foi formalizado pela oposição em 13 de outubro. Na sexta-feira (5), uma comissão revisora, composta por cinco deputados, votou para rejeitar a acusação.

Acusação contra o presidente

Os documentos divulgados pelo Pandora Papers revelam supostas irregularidades na venda da empresa Minera Dominga, da família do presidente chileno para o empresário Carlos Alberto Délano, e uma transação nas Ilhas Virgens Britânicas (um paraíso fiscal).

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A negociação, ocorrida nove meses após o início do primeiro mandato de Piñera como presidente, entre 2010 e 2014, estaria condicionada a que o presidente negasse a declaração do empreendimento como área ambientalmente protegida. 

Em nota oficial emitida pelo gabinete da presidência, Sebastián Piñera chegou a negar o envolvimento com a venda e afirmou que os fatos já foram investigados em 2017. No entanto, a opinião pública permanece parcial, uma pesquisa de opinião revelou que 67% dos chilenos concordam com a acusação contra Piñera. A pesquisa Pulso Ciudadano foi realizada pela consultoria Activa Research.

O Ministério Público do Chile abriu uma investigação para apurar se houve pagamento de propina e violações tributárias na transação.

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Passado para o Senado ???? | Deputados(as) aprovam a admissibilidade de acusação constitucional [impeachment] contra Presidente Piñera.

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