'not my king'

Críticos da monarquia sofrem repressão policial no Reino Unido

Policias intervieram e em alguns casos, prenderam manifestantes, levantando sérias questões sobre como forças de repressão estão minando as liberdades individuais.  

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Manifestantes contrários a monarquia britânica (Créditos: Rob Pinney/Getty Images)

Diversos críticos da monarquia britânica foram às ruas para protestar contra o novo rei Charles III. Ao erguerem cartazes como “Not my king” – “Não é meu rei”, policias intervieram e em alguns casos, prenderam manifestantes, levantando sérias questões sobre como forças de repressão estão minando as liberdades individuais.

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O grupo Liberty, que defende direitos civis, expressou sua preocupação, dizendo em um comunicado: “É muito preocupante ver a polícia aplicando seus amplos poderes de uma maneira tão pesada e punitiva para reprimir a liberdade de expressão”.

Em entrevista à CNN, um homem que sofreu repressão policial por protestar contra Charles III, identificado como Symon Hill, disse que ficou ”chocado” com a ação dos tiras londrinos.

Symon, de 45 anos, estava voltando da igreja no domingo por volta das 12h30. O homem disse que as estradas no centro da cidade foram isoladas para uma procissão, dificultando a atravessar a multidão. Percebendo que a ascensão do rei Charles III estava prestes a ser proclamada pelas autoridades locais, Hill decidiu ouvir em vez de insistir para chegar em casa.

“Eles começaram a ler sobre Elizabeth II e expressar tristeza por sua morte”, disse Hill. “Eu certamente não interromperia isso. Eu nunca me intrometi em um ato de luto. Isso não é algo que eu jamais faria.”

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Mas quando o rei Charles foi declarado “nosso único senhor legítimo por direito”, Hill disse que gritou: “Quem o elegeu?”

“Apenas as pessoas realmente próximas poderiam ter ouvido. Algumas pessoas me disseram para calar a boca. Respondi que um Chefe de Estado está sendo imposto sem nosso consentimento”. 

Logo após a declaração de Hill, policias e seguranças que estavam no local o confrontaram. “Então a polícia interveio, me agarrou, me algemou e me colocou na parte de trás de uma van da polícia”, disse ele. “Provavelmente não passaram mais de cinco minutos desde que eu gritei ‘quem o elegeu?’”

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Hill disse que, uma vez que estava na van da polícia, perguntou repetidamente aos policiais sob qual lei ele estava sendo preso. “Eles não pareciam ter muita certeza, o que é bastante preocupante. Certamente a prisão arbitrária não é algo que deveríamos ter em uma sociedade democrática”.

Hill disse que recebeu respostas duvidosas para sua prisão, pois a polícia não tinha certeza se deveria levá-lo sob custódia. “Depois de muitos policiais conversando uns com os outros e com seus superiores através de seus rádios, o policial na van comigo me disse que eu seria detido e levado para casa, mas que seria contatado e solicitado a dar uma entrevista em uma data posterior. Ele disse que eu ainda poderia ser acusado de alguma coisa. Mesmo neste momento, eles não responderam às minhas perguntas sobre sob qual lei eu tinha sido preso.”

Hill disse que foi informado por policiais no caminho para casa que ele havia sido preso sob a Lei de Polícia, Crime, Sentença e Tribunais de 2022, uma legislação controversa, introduzida este ano, que amplia os poderes da polícia para reprimir protestos.

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No entanto, uma declaração da Polícia de Thames Valley à CNN na quarta-feira (14) disse que Hill havia sido preso sob a Seção 5 da Lei de Ordem Pública de 1986, que abrange crimes que causam “assédio, alarme ou angústia”.

A confusão mostra a incerteza em torno do direito à liberdade de expressão no Reino Unido, após a Lei de 2022, “ampliar a gama de circunstâncias em que a polícia pode impor condições a um protesto”. De acordo com a cláusula 78 da nova lei, é uma ofensa para os manifestantes “intencionalmente ou imprudentemente causar incômodo público” – incluindo causar “grave aborrecimento”.