baixa taxa de fecundidade

Governo de Tóquio lança aplicativo de relacionamento para gerar mais famílias

Objetivo da ação é incentivar encontros entre pessoas solteiras, maiores de 18 anos, “com desejo de se casar” e morar ou trabalhar na capital, diz o site

Governo do Japão intensifica esforços para incentivar jovens a casar e a constituir famílias, lançando até um aplicativo de encontros.
Site de namoro do governo de Tóquio – Crédito: Reprodução/Tapple

A taxa de fecundidade do Japão, que registrou uma queda acelerada durante muitos anos, caiu ainda mais, chegando a um piso histórico. Nesse cenário, o governo intensifica os esforços para incentivar os jovens a casar e a constituir famílias – lançando até mesmo seu próprio aplicativo de encontros.

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Em Tóquio as autoridades locais estão tentando uma nova abordagem: lançar um aplicativo de encontros gerido pelo governo, que está em fase inicial de testes e estará totalmente operacional ainda este ano. “Por favor, use o app como ‘o primeiro passo’ para começar a caçar casamentos”, diz o site do aplicativo, acrescentando que o sistema de combinação de IA é fornecido pelo Governo Metropolitano de Tóquio. Os usuários precisam fazer um “teste de diagnóstico de valores”, e também há a opção de inserir as características desejadas de um futuro parceiro.

“Com base nos seus valores e nos valores que você busca em um parceiro, que podem ser determinados por meio de um teste, a IA irá apresentá-lo a uma pessoa compatível”, afirmou. “Aquilo que não pode ser medido apenas pela aparência ou pelas condições pode levar a encontros inesperados”.

O aplicativo chamou até a atenção do bilionário Elon Musk, que escreveu no X, antigo Twitter: “Estou feliz que o governo do Japão reconheça a importância deste assunto. Se não forem tomadas medidas radicais, o Japão (e muitos outros países) desaparecerão!”.

Os usuários devem ser solteiros, maiores de 18 anos “com desejo de se casar” e morar ou trabalhar em Tóquio, diz o site. O governo também enumera outras medidas para apoiar os casais – tais como o fornecimento de informações sobre o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, cuidados infantis e apoio à habitação, participação dos homens nas tarefas domésticas e na criação dos filhos, e aconselhamento profissional. “Esperamos que cada um de vocês que deseja se casar pensem sobre o que significa para você estar em um ‘casal’”, diz o texto.

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Governo se atenta à taxa de fecundidade

De acordo com novos dados divulgados pelo Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar nesta sexta-feira (7), a nação de 123,9 milhões de habitantes registrou apenas 727.277 nascimentos no ano passado. A taxa de fecundidade – definida como o número total de nascimentos que uma mulher tem durante a sua vida – caiu de 1,26 para 1,20.

Para que uma população permaneça estável, é necessária uma taxa de fertilidade de 2,1. Qualquer valor acima disso será responsável por uma expansão populacional, com uma grande proporção de crianças e jovens adultos, como se verifica na Índia e em muitos países africanos. Mas no Japão, a taxa de fecundidade tem estado bem abaixo da marca estável de 2,1 durante meio século, segundo especialistas. O número de crianças por mulher caiu abaixo desse nível pela primeira vez após a crise global do petróleo de 1973, que empurrou as economias para a recessão.

A tendência decrescente acelerou nos últimos anos, com o número de mortes ultrapassando o número de nascimentos, fazendo com que a população total diminuísse. Em 2023, o país registrou 1,57 milhão de mortes, mais que o dobro do número de nascimentos. Os especialistas dizem que o declínio deverá continuar durante, pelo menos, várias décadas e é, em certa medida, irreversível devido à estrutura populacional do país.

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Mesmo que o Japão aumentasse a sua taxa de fertilidade amanhã, a sua população continuaria a cair até que a proporção distorcida entre jovens e adultos mais velhos se equilibrasse. O número de casamentos caiu em 30 mil no ano passado em comparação a 2022, enquanto o número de divórcios aumentou. O governo corre para atenuar o impacto, lançando novas agências governamentais focadas especificamente neste problema. Entre as iniciativas estão a expansão de instalações de cuidados infantis, a oferta de subsídios de habitação aos pais e, em algumas cidades, até mesmo pagar aos casais para terem filhos.

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