Opinião

Israel, entre ataques terroristas e celebrações nacionais

*Por Jana Beris – De Tel-Aviv.

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Bandeira de Israel (Crédito: David Silverman/ Getty Images)

Quando os israelenses comemoravam seu 74º aniversário de independência, um novo/velho lembrete dos desafios com os quais eles têm que lidar veio quando um terrível ataque terrorista foi cometido na cidade de Elad. Dois terroristas palestinos, de 19 e 20 anos, que aparentemente entraram em Israel ilegalmente e até trabalharam na cidade, chegaram ao seu parque central, onde havia inúmeras famílias inteiras aproveitando o feriado nacional, e começaram a atacar civis com machados. Eles conseguiram matar três homens e deixaram outros quatro gravemente feridos. Em um instante, 16 crianças ficaram órfãs, algumas delas depois de testemunhar o terrível assassinato de seus pais.

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Este é um resultado direto muito claro da incitação do chefe da organização terrorista Hamas, da Faixa de Gaza, Yehia Sinwar, que constantemente clama por ataques. Ele já fez um discurso particularmente sério, no qual exortou explicitamente os cidadãos árabes de Israel e também os moradores palestinos da Cisjordânia (Judeia e Samaria) a atacarem os israelenses com tudo o que puderem, com armas de fogo, facas , de qualquer tipo ou eixos, o que quer que tenham. Ele usa perigosamente o elemento religioso, demonizando Israel e apresentando-o como aquele que “coloca em perigo” a mesquita de Al Aqsa, embora sejam palestinos extremistas que profanam seu próprio santuário há muitas semanas.

Há muito o que escrever sobre como se deve agir neste momento. Mas nesta nota eu gostaria de focar em outra coisa: na ameaça constante que o incitamento ao ódio significa e na diferença abismal entre como Israel vive e como a sociedade palestina está sendo administrada.

Sempre acreditei que a maioria da população palestina quer para seus filhos o que eu quero para os meus: que cresçam em paz e felicidade, com saúde. Recuso-me a acreditar que a maioria apoia o terrorismo. Mas, ao mesmo tempo, os responsáveis ​​pelo que está acontecendo não são apenas aqueles que empunham armas, puxam o gatilho, esfaqueiam ou golpeiam até a morte. Os responsáveis ​​são aqueles que incitam, chamam para cometer ataques, aqueles que saem para distribuir doces nas ruas para comemorar a morte de mais israelenses, e aqueles que gritam pelos alto-falantes da mesquita “Allah hu-Akar” que é “Deus é grande”, ao saber dos mortos em Israel. E se a maioria realmente se opõe a isso, eles não dão nenhum sinal disso. O problema é que o que prevalece no discurso público – e deve-se notar que não só do Hamas – é a posição extremista a favor do assassinato.

O único consolo nesta situação que continua cobrando seu preço é pensar onde está Israel e onde estão os terroristas que trazem desgraça ao seu próprio povo. Em Israel, em Beit Hanasí, foi celebrado na residência oficial do presidente, yom haatzmaut, o aniversário de 74 anos do Estado. O presidente, o primeiro-ministro, o chefe do Tzahal e toda a alta direção receberam 120 soldados destacados de diferentes unidades, distinguidos pela forma de exercer o serviço militar, obrigação do cidadão. Entre eles, uma maioria judia, diga-se de passagem, mas também vários não-judeus, nativos de Israel, imigrantes de diversos cantos do mundo, membros de todas as variadas comunidades que compõem o mosaico israelense. Como todos os anos no Yom Haatzmaut, a cerimônia de premiação do mais alto prêmio do Estado foi realizada para figuras destacadas por seu trabalho, pesquisa científica, humanística, desenvolvimento médico ou por uma vida dedicada a um trabalho especial como ser a música da medina de avihu. E de Gaza, chegaram horas depois as fotos de palestinos distribuindo doces ao povo para comemorar que em Israel houve mais três mortes enquanto os alto-falantes das mesquitas gritavam louvores a Alá por isso. E um certo cartunista de Gaza, acreditamos, homenageando sua causa, posta um desenho em que na palavra palestina, em letras latinas, a inicial P é na verdade um machado.

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Como cartunista, muito engenhoso. Como expressão de um sentimento nacional, aterrorizante. Quero acreditar que entre os palestinos há muitas pessoas normais que, embora não façam nada contra o fenômeno, ficam horrorizadas ao vê-lo e dizem que não, isso não deveria nos representar. Mas, por enquanto, o que prevalece é o discurso a favor do terrorismo e da morte.

Israel, portanto, deve permanecer muito vigilante.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Perfil Brasil.

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*Texto publicado originalmente no site Perfil Argentina.