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Como novas plataformas estão aumentando a dispersão da atenção e empoderando criadores de conteúdo

Depois de anos de hegemonia absoluta de empresas como o Facebook (com sua Tríplice Aliança entre Facebook, Instagram e WhatsApp), recentemente outras plataformas estão imprimindo um ritmo frenético de criatividade e empoderando os “content creators” como poucas vezes vimos

Como novas plataformas estão aumentando a dispersão da atenção e empoderando criadores de conteúdo
Como novas plataformas estão aumentando a dispersão da atenção e empoderando criadores de conteúdo (Crédito: Pixabay)

Por Pedro Oliveira

Depois de anos de hegemonia absoluta de empresas como o Facebook (com sua Tríplice Aliança entre Facebook, Instagram e WhatsApp), recentemente outras plataformas estão imprimindo um ritmo frenético de criatividade e empoderando os “content creators” como poucas vezes vimos. De um lado o TikTok, principal fenômeno da Internet global, com mais de 1 bilhão de usuários ativos por mês que consomem mais de 2 bilhões de vídeos por dia e, do outro, o Roblox, uma plataforma gamer que oferece condições para que desenvolvedores criem novos jogos dentro um mundo virtual, trazendo experiências imersivas para 40M de pessoas que estão diariamente na plataforma em uma média de 2,5 horas (para referência, estima-se que o Netflix tenha aproximadamente 50M de usuários únicos por dia).

O que as torna tão interessantes é a lógica de empoderamento do criador que resulta na fragmentação dos conteúdos, a partir da entrega de ferramentas para criação de novos formatos aos usuários, garantindo que a audiência (e não apenas um algoritmo pré-concebido e viciado) determine o que irá desempenhar bem ou mal e, por consequência, quem irá extrair maior valor monetário desses produtos.

Ao passo que na família Facebook, ao longo do tempo, criou-se uma plataforma que reflete a sociedade moderna com polêmicas consecutivas, discursos de ódio e desigualdade sócio-econômica, o TikTok e o Roblox parecem ir na direção oposta, trazendo elementos de fragmentação e seleção natural em larga escala como nunca havíamos acompanhado antes – ambos são fiéis à premissa de que plataformas orientadas para criadores se desenvolvem quando elas oferecem oportunidades para que qualquer usuário cresça e vença.

Como essa nova realidade começa a dar forma à Economia da Paixão?

Da mesma forma que ocorreu com os meios tradicionais, que foram disruptados pelos meios digitais, hoje enxergamos movimentos de criadores de conteúdo, que foram descobertos e empoderados por plataformas, começando a seguir carreira solo. Ou seja, depois de construir uma audiência leal o suficiente, muitos desses criadores (de todos os tipos e tamanhos) buscam formas de ultrapassar os intermediários (as plataformas por si só) e extrair ainda maior valor disso.

Assim, entramos na análise de como o casamento entre a dispersão da criatividade e ferramentas tecnológicas cria a fragmentação e a abundância de conteúdos e de formatos de distribuição que vemos atualmente. Sem dúvidas, o TikTok e o Roblox são símbolos deste contexto que fomenta a explosão dos creators. Ao mesmo tempo, a desintermediação e o aparecimento de novas tecnologias dão origem a modelos direct to consumer (D2C) e vemos uma explosão de plataformas como Twitch, Only Fans, Patreon, Substack, MasterClass, entre outras, abrindo um mar de possibilidades para que criadores de conteúdo desenvolvam uma infinidade de propriedades intelectuais, construam suas próprias audiências e levantem seus modelos de negócios a partir disso.

Desta maneira, a Passion Economy vai tomando forma, com a tecnologia propiciando o encontro entre o criador empoderado e uma audiência com um poder de escolha nunca antes visto. É neste cenário de dispersão que hoje todos disputam a atenção do consumidor: o conteúdo linear concorre com o conteúdo em streaming, as redes sociais competem com jogos eletrônicos, e o esporte bate de frente com um cenário altamente fragmentado de criadores independentes. A grande questão aqui não é se a audiência está faminta por conteúdo de qualidade – isso já está superado. No entanto, o que ainda teremos de esperar pra ver é aonde esse misto entre Dispersão Criativa e Passion Economy vai parar, dado que nossos dias possuem “apenas” 24 horas e isso não vai mudar.

É inevitável que em breve passemos por um processo de seleção natural em todas as plataformas, com os mais fortes saindo fortalecidos. A diferença, porém, é o que “ser mais forte” significa neste contexto, uma vez que a desintermediação permite o surgimento de uma diversidade de modelos. Justamente por isso, no fim do dia não conseguimos prever quais plataformas, criadores e modelos de negócios sairão vitoriosos. Mas sabemos que poucas vezes foi tão interessante acompanhar uma indústria alterando os seus rumos radicalmente, democratizando os meios e gerando um surto de criação de propriedade intelectual sem precedentes.

*Pedro Oliveira é sócio-fundador da OutField Consulting, uma consultoria focada nos negócios do esporte e do entretenimento. Esse texto não reflete necessariamente a opinião da Perfil Brasil.

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