ENTREVISTA AO UOL

Milei ‘tem que pedir desculpas ao Brasil e a mim’, afirma Lula

Segundo o mandatário brasileiro, Milei “cria uma rivalidade desnecessária com o Brasil” e tenta “governar o mundo”

Milei ‘tem que pedir desculpas ao Brasil e a mim’, afirma Lula
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – Créditos: Reprodução

Em entrevista ao UOL nesta quarta-feira (26), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o líder argentino Javier Milei deve desculpas ao Brasil e a ele. Segundo Lula, até hoje ele não se reuniu com Milei pois acredita que “ele falou muita bobagem“.

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O presidente ressaltou que o argentino cria uma rivalidade desnecessária com o Brasil: “a Argentina é um país muito importante para o Brasil, e o Brasil é muito importante para Argentina. Não é um Presidente da República que vai criar uma cizânia, entre Brasil e Argentina. O povo argentino e povo brasileiro são maiores que os presidentes. Se o presidente da Argentina governar a Argentina já está de bom tamanho, e não tentar governar o mundo“.

A Argentina, por sua vez, tem buscado uma aproximação com o Brasil após os ataques de Milei como candidato. Em maio, a chanceler argentina, Diana Mondino, expressou a um jornal local sua esperança de um encontro entre os mandatários.

Mondino minimizou as divergências ideológicas entre os dois e atribuiu a ausência de um encontro à falta de oportunidade. “Até agora a oportunidade não foi dada. Mas espero que isso aconteça. E se não, você tem a garantia de que isso acontecerá na reunião do G20 [no Rio de Janeiro]“, disse.

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Lula defende prisão de foragidos

Lula reiterou sua posição a favor da prisão na Argentina dos foragidos dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, caso não possam ser extraditados. Recentemente, Mondino enviou uma lista ao Itamaraty com mais de 60 fugitivos investigados ou condenados pelos ataques. Estima-se que o número de foragidos seja ainda maior, já que muitos entraram ilegalmente na Argentina. “Se os caras não quiser vir que fiquem presos lá, fiquem presos na Argentina. Senão venham para cá“, pontuou Lula.

O mandatário ressaltou que o assunto está sendo tratado “da forma mais diplomática possível“. Ele mencionou que autoridades como o ministro Lewandowski, da Suprema Corte, e Andrey da Polícia Federal, junto com Mauro Vieira do Itamaraty, estão discutindo a questão.

Segundo informações do UOL, Lula não pretende pressionar  Milei, uma vez que o caso, considerado inédito e sensível, tem potencial para criar tensões entre os países vizinhos, especialmente se o governo ultraliberal aceitar os pedidos de refúgio político de cerca de 80 indivíduos envolvidos nos atos golpistas.

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