“O Ocidente poderia ter evitado a guerra atual em 2014”, disse presidente turco

Em seus comentários, o líder turco disse que a “resposta insuficiente” do Ocidente à invasão da Crimeia pela Rússia em 2014 levou à atual guerra em grande escala da Rússia

O Ocidente poderia ter evitado a guerra atual em 2014, disse presidente turco
Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan (Crédito: Presidential Press Office via dia images via Getty Images)

16 dias após o início da invasão russa da Ucrânia, os bombardeios dessa atual guerra atingiram as cidades de Lutsk, Ivano-Frankivsk, no noroeste, e Dnipro, no centro-leste, que até então não haviam sido atacadas por tropas russas. Além disso, o cerco aéreo de Kharkov, a segunda maior cidade do país, continua, e as autoridades ucranianas não descartam um ataque à capital, Kiev, nos próximos dias.

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Do lado ucraniano, eles denunciam que as baixas civis excedem as dos soldados devido aos ataques da Rússia a infraestruturas como hospitais e orfanatos, segundo o ministro da Defesa, Oleksii Reznikov. Além disso, já são mais de 2,5 milhões de refugiados desde o início do conflito, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o maior deslocamento de pessoas desde a Segunda Guerra Mundial.

Erdogan: “O Ocidente poderia ter evitado esta guerra em 2014”

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, criticou as potências ocidentais por sua resposta insuficiente à anexação da península da Crimeia pela Rússia em 2014, que serviu como prelúdio para a guerra atual.

“Se todo o Ocidente, o mundo todo tivesse levantado a voz com a invasão da Crimeia em 2014, estaríamos diante do cenário atual?”, perguntou Erdogan durante seu discurso de abertura no Fórum de Diplomacia de Antalya, no sul da Turquia, onde reunião entre os ministros das Relações Exteriores da Rússia e da Ucrânia ocorreu no âmbito das negociações para alcançar uma solução para o conflito.

Em seus comentários, o líder turco disse que a “resposta insuficiente” do Ocidente à invasão da Crimeia pela Rússia em 2014 levou à atual guerra em grande escala da Rússia. “Agora, aqueles que permaneceram em silêncio diante da ocupação da Crimeia estão dizendo coisas. A Ucrânia foi deixada em paz”, atacou, e ressaltou que, se tivesse feito alguma coisa, a invasão que começou em 24 de fevereiro poderia ter sido evitada .

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No entanto, após as críticas, o chefe de Estado turco se aproximou das potências ocidentais e apoiou a “luta legítima” dos ucranianos, além de criticar a Rússia. “As práticas fascistas contra os cidadãos e a cultura russos nos países ocidentais nunca podem ser aceitas”, disse Erdogan, concluindo: “Nossa esperança é que a moderação e o bom senso prevaleçam e as armas sejam silenciadas o mais rápido possível”.

Tropas russas avançaram 11 quilômetros na Ucrânia

O Ministério da Defesa russo assegurou esta sexta-feira (11) que as tropas avançaram 11 quilômetros para a Ucrânia, a partir do sudeste e em direção à região de Donbas, onde se localizam os estados separatistas apoiados por Moscovo.

Por outro lado, o governo ucraniano também informou que Mariupol, a cidade portuária estratégica entre a península da Crimeia e Donbas destruída pelos russos, está de fato sob ocupação russa. Eles também avançaram em outras grandes cidades do conselho de Putin: Chernigov e Sumy.

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Kiev denunciou que a Rússia sequestrou o prefeito de Melitopol

Nesta sexta-feira (11) funcionários do governo ucraniano denunciaram que a Rússia sequestrou o prefeito da cidade ocupada de Melitopol, no sul do país, na região de Zaporizhia, sob controle russo por uma semana. Até agora seu paradeiro é desconhecido e uma resposta de Moscou ainda é aguardada.

“De acordo com informações preliminares, há uma hora os ocupantes sequestraram o prefeito de Melitopol, Ivan Fedorov”, disse o vice-chefe de gabinete da Ucrânia, Kirilo Timoshenko, via Telegram, uma mensagem que mais tarde foi transmitida por agências locais.

Segundo informações da comitiva do presidente ucraniano Volodimir Zelenski, o prefeito de Melitopol foi sequestrado por “invasores” durante uma operação realizada por uma dezena de pessoas depois que ele se recusou a colaborar com os russos, que controlam a região sul há uma semana. Outro motivo é que o prefeito teria decidido manter a bandeira ucraniana hasteada na prefeitura como símbolo de resistência aos ocupantes.

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“Eles colocaram um saco na cabeça do prefeito e o levaram para um destino desconhecido”, disse o assessor do Ministério do Interior, Anton Gerashchenko, sem dar mais detalhes, com base em um vídeo que circulou na mesma rede em que ele vê um grupo de homens uniformizados levar uma pessoa com o rosto coberto na rua.

Por sua parte, o ministro da Defesa ucraniano declarou na sexta-feira que a Rússia “está tentando implantar uma infraestrutura policial nos territórios do sul da Ucrânia que tomou temporariamente”.

CDI cp

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*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Perfil Brasil.

*Texto publicado originalmente no site Perfil Argentina.