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Boris Johnson comemora vitória dos conservadores em Hartlepool, na Inglaterra

O partido de Boris Johnson prevaleceu em um distrito de maioria da classe trabalhadora, no qual o trabalhismo vencia desde 1974. O primeiro-ministro atribuiu o amplo triunfo ao Brexit

Um histórico triunfo conservador num bastião trabalhista
Primeiro-ministro Boris Johnson (Crédito: Jeff J Mitchell/Getty Images)

O primeiro-ministro Boris Johnson comemorou ontem a vitória histórica dos conservadores em Hartlepool, um reduto trabalhista no nordeste da Inglaterra, em uma eleição complexa e com muito em jogo, e que pode resultar crucial para a unidade do Reino Unido.

Nos primeiros resultados anunciados após a eleição de quinta-feira, Jill Mortimer, candidata conservadora apoiada por Boris Johnson à cadeira de Hartlepool, vacante no Parlamento de Westminster após a renúncia de seu parlamentar em meio a alegações de assédio sexual, conquistou quase o dobro de votos de seu oponente trabalhista.

É a primeira vez desde a criação deste cargo em 1974 que esta cidade da “muralha vermelha”, uma área historicamente esquerdista do norte desindustrializado da Inglaterra, elege um parlamentar de direita.

Boris Johnson não perdeu a oportunidade de se deslocar imediatamente para lá e lembrou que em 2016 Hartlepool votou no Brexit.

O primeiro-ministro disse que graças à saída da União Europeia “podemos fazer outras coisas, como nos opor à Superliga Europeia e agir de forma um pouco diferente no que diz respeito à vacinação [contra covid-19], que tem sido tão importante e que nós conseguimos realizar mais rapidamente do que outros países europeus”.

Estas eleições, que somam eleições municipais e regionais além desta cadeira nacional que estava vacante, são a primeira prova eleitoral para os conservadores após a saída da União Europeia (UE) e o surgimento do coronavírus.

O primeiro-ministro britânico foi inicialmente amplamente criticado por seu tratamento errático da crise de saúde, mas agora vê sua popularidade impulsionada pelo sucesso de sua campanha de vacinação.

“Devastador” para a esquerda. Este resultado é um mau presságio de cara às eleições gerais de 2024 para o líder da oposição, Keir Starmer, que se declarou “decepcionado” e prometeu fechar “a lacuna entre o Partido Trabalhista e os trabalhadores”.

Starmer assumiu as rédeas do partido há um ano, prometendo levantá-la após o fracasso eleitoral de seu antecessor, Jeremy Corbyn, nas eleições legislativas de 2019, em que várias cadeiras da “muralha vermelha” foram perdidas para os conservadores.

Mas ele está tendo dificuldades para convencer os eleitores. “Que uma cidade como Hartlepool, que tem sido trabalhista por meio século, esteja agora nas mãos dos conservadores é de partir o coração”, disse o chefe trabalhista de Comunidades Locais, Steve Reed, lamentando o resultado comemorado por Boris Johnson.

Assim, apesar das 127.000 mortes por covid-19, o saldo mais alto de qualquer país europeu, e dos escândalos recentes de clientelismo e possível corrupção, o polêmico Johnson passa com boas notas em seu primeiro exame eleitoral.

Além de sua popularidade com os apoiadores do Brexit, Johnson “gastou somas astronômicas durante a pandemia e supervisionou uma campanha de vacinação muito bem-sucedida”, disse Jane Green, professora de ciência política da Universidade de Oxford, observando ainda que “a economia está se recuperando”.

E a Escócia?

No entanto, Johnson ainda tem um teste muito mais importante a superar: o ímpeto que os independentistas esperam alcançar na Escócia, onde um novo parlamento regional foi eleito no âmbito desta “super quinta-feira” eleitoral.

Naquela região de 5,4 milhões de habitantes, o Partido Nacionalista Escocês (SNP) da primeira-ministra Nicola Sturgeon, que governa em minoria, espera angariar um apoio muito forte para levar adiante seu reclamo por um segundo referendo sobre autodeterminação.

No primeiro, realizado em 2014, o “não” se impôs por 55%, impulsionado pelo argumento de que a independência deixaria a Escócia fora da UE. Mas, dois anos depois, o referendo do Brexit mudou as coisas e os escoceses foram arrastados para fora do bloco, apesar de terem rejeitado essa opção por 62%. A primeira-ministra escocesa argumenta que isso mudou a situação e espera fortalecer a sua posição para pressionar Londres.

Enquanto aguarda os resultados finais que não chegarão até o fim de semana, Sturgeon disse estar “extremamente feliz que o SNP pareça estar no caminho certo para alcançar a quarta vitória eleitoral consecutiva”.

Cerca de 48 milhões de eleitores foram chamados na quinta-feira para escolher 5.000 vereadores de 143 assembleias locais na Inglaterra, os parlamentos regionais do País de Gales e da Escócia, o MP de Hartlepool e o prefeito de Londres.

Na capital, o trabalhista Sadiq Khan, o primeiro prefeito muçulmano de uma capital ocidental, deve prevalecer sem maiores dificuldades.

*Texto publicado originalmente no site Perfil Argentina.