Próximo Presidente

Professor analisa relações do Brasil com a Argentina em 2023

Pedro Costa Junior fala sobre as possíveis relações com os demais países caso Lula ou Bolsonaro assuma a presidência do Brasil.

Professor fala sobre Mercosul e relações com a Argentina em 2023
Apresentadora Lilian Coelho e o professor Pedro Costa Junior.

Em live no Facebook da Perfil Brasil neste domingo de eleições (2), o professor de relações internacionais, Pedro Costa Junior, da USP, prevê e expõe pontos importantes de possíveis decisões do próximo Presidente da República.

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Comentando uma fala de Ernesto Araújo, ex-ministro das relações exteriores, na qual ele diz se orgulhar de ter transformado o Brasil em um pária do mundo, ou seja um inimigo do mundo, o professor afirma que no atual governo de Jair Bolsonaro (PL), o país saiu do mapa do mundo e que agora os demais países esperam que o Brasil volte a ocupar o seu antigo espaço.

Sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Costa Junior fala que o ex-presidente, por outro lado, sempre manteve boas relações com todo o mundo.

Como diria Chico Buarque de Holanda definindo a política externa do Lula: ‘O que eu gosto da política externa do Lula’, abre aspas para o Chico, ‘o Lula ele não fala grosso com a Bolívia e nem fala fino com Washington’. Então, isso significa que, o Lula falava de igual para igual com Obana, com Bush e ele falava com muito respeito com os países vizinhos.“, acrescenta o professor.

Assim, espera-se, caso Lula vença as eleições, um foco maior nas parcerias vizinhas, diferente do que acontece atualmente.

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Relação com Mercosul

Costa Junior, vê a política externa de Lula, ao contrário da de Bolsonaro, centrada na integração regional, que parte do fortalecimento com o Mercosul. Assim, ele acredita na Argentina como ponto chave de parceria.

Já com o Bolsonaro, o professor acrescenta que em termos de diplomacia algumas atitudes, como não ir à posses, foram ofensivas: “O Bolsonaro desprezou seus vizinhos tradicionais, ele sequer foi à posse dos presidentes aqui da região”.

“Uma coisa muito importante da diplomacia, um ato de simbolismo, é quando o presidente é eleito, e a partir de janeiro, o presidente escolhe a primeira viagem que ele vai fazer. A primeira viagem que ele faz é um sinal, um signo pro mundo que ele está falando: ‘A minha prioridade no mundo é ter relações com tal país’ (…) O Brasil tradicionalmente, a primeira viagem, seja de Fernando Henrique, Lula, ou Dilma, sempre foi para Casa Rosada, porque eles estão dizendo: ‘O nosso principal aliado é o nosso vizinho (…) O Bolsonaro quebrou essa relação, a primeira viagem dele foi para os Estados Unidos e Israel”, expõe.

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Argentina no Brics

O ex-presidente Lula e Celso Amorim, seu conselheiro de política externa e ex-ministro, se manifestam de forma favorável à entrada da Argentina no Brics. O professor enfatiza que a China, chamado de ‘banco’ do bloco, também está favorável ao ingresso do país sul-americano. Além disso, Marcos Troyjo, um dos atuais presidentes do Brics, é  brasileiro, o que poderá ajudar o candidato do PT e seu conselheiro nesta missão.

Em relação ao Bolsonaro, Costa Junior acha difícil dizer se ele vai querer ajudar na entrada da Argentina, já que ele tem relações conturbadas com o atual presidente argentino, Alberto Fernández.