Trabalho escravo

Repórter se diz ‘impactada’ após mulher negra escravizada temer segurar sua mão

A vítima, Madalena Silva, passou 54 dos seus 62 anos de vida escravizada.

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Segundo a SIT, desde 2020 foram registrados 55.712 casos de trabalhadores em condições análogas à escravidão no Brasil (Crédito: Canva fotos)

Em homenagem ao Dia das Trabalhadoras Domésticas, comemorado na quarta-feira (27), o telejornal “Bahia Meio Dia”, afiliada TV Globo em Salvador, exibiu uma matéria sobre o trabalho escravo na Bahia. Entre as vítimas ouvidas, uma mulher negra resgatada de um trabalho análogo à escravidão confessou à repórter Adriana Oliveira que temia pegar em sua mão por ela ser uma mulher branca.

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A vítima, Madalena Silva, passou 54 dos seus 62 anos de vida escravizada. Ela, que foi resgatada em março do ano passado, não tinha salário, era maltratada e sofria com roubos da filha dos escravizadores — que fazia empréstimos no nome de Madalena e ainda ficou com R$ 20 mil de sua aposentadoria.

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Na entrevista, Madalena mostrou ter ficado com traumas psicológicos profundos após os maus-tratos recebidos. “Fico com receio de pegar na sua mão branca”, desabafou ela. “Mas por quê? Tem medo de quê?”, indagou à repórter Adriana Oliveira, estendendo as mãos. “Por que ver a sua mão branca. Eu pego e boto a minha em cima da sua e acho feio isso”, explica Madalena.

“Sua mão é linda, sua cor é linda. Olhe para mim, aqui não tem diferença. O tom é diferente, mas você é mulher, eu sou mulher. Os mesmos direitos e o mesmo respeito que todo mundo tem comigo, tem que ter com você”, destacou a jornalista.

Nas redes sociais, Adriana afirmou que o encontro com Madalena foi uma das ocasiões mais emocionantes em seus 27 anos de profissão. “Ainda tô impactada com o encontro com Dona Madalena. Hoje vivi um dos momentos mais emocionantes nos 27 anos de profissão”, escreveu.

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