Bolsonaro me mandou entregar FNDE para o Centrão, afirma Weintraub

Weintraub alegou que tentou adiar o cumprimento da ordem de Bolsonaro e tomou medidas para, segundo ele, aumentar a governança do FNDE

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O ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub (Crédito: Andressa Anholete/Getty Images)

O ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou à CNN que recebeu uma ordem direta do presidente Jair Bolsonaro (PL) para que “entregasse” o comando do Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação (FNDE) para o ‘centrão’.

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O pedido de Bolsonaro teria ocorrido em março de 2020, mas somente foi concretizado em junho. No começo daquele mês, foi publicada a nomeação de Marcelo Lopes da Ponte como presidente do FNDE.

Marcelo foi chefe de gabinete do atual ministro da Casa Civil e integrante do ‘centrão’, Ciro Nogueira. Na semana passada, Lopes da Ponte foi questionado por parlamentares sobre suspeitas de sobrepreço e irregularidades em repasses do FNDE para prefeituras.

Weintraub alegou que tentou adiar o cumprimento da ordem de Bolsonaro e tomou medidas para, segundo ele, aumentar a governança do FNDE. O ex-ministro queria que o fundo ficasse submetido não só à sua pasta, mas também à Casa Civil e à Economia, mas afirmou que o então titular da Casa Civil, Walter Braga Netto, não concordou com a proposta.

“Quem vai me dar uma ordem dessas? O meu chefe. Ele falou: você vai ter que entregar o FNDE pro Centrão e eu falei: presidente, não faça isso. E eu fiquei adiando o máximo que eu podia, fiquei adiando. Eu subi toda a governança, as regras, do processo decisório do FNDE. Quem tem inclusive fazer um conselho, um board, decisório pro FNDE não ficar o presidente do FNDE não se reportar ao ministro da Educação, se reportar o ministro da Economia e o da Casa Civil. Na época era o Braga Netto. Tentei, o Braga Netto não quis”, afirmou o ex-ministro.

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Weintraub disse ainda que Bolsonaro não possui envolvimento direto em nenhumas das irregularidades expostas recentemente pela imprensa. “Não tá [sic] difícil de ver se aconteceu alguma coisa de errado, eu não acho que o presidente esteja envolvido nisso, mas ele deixou entrar gente errada dentro do governo. E essas pessoas erradas que aprontaram no passado eu acho que tem uma probabilidade alta de terem aprontado de novo, mas para ser justo, eu sou favor de sempre ser justo, então vamos investigar, vamos. Mas vamos investigar coisas também mais graves como esse daqui ó. É um fato específico. ‘Ah, não tem fato específico, é o Enem superfaturado’. E a pressão que sofri pra manter o Enem do jeito que estava antes.”

Na entrevista, o ex-ministro também afirmou ter entregado à Polícia Federal e ao Ministério Público documentos que podem comprovar uma série de irregularidades na Educação. Weintraub fez menção direta a suspeitas na impressão de provas do Enem nos governos do PT, como na gestão do ex-ministro Fernando Haddad.

“Quando eu entrei lá, eu comecei a ver os esqueletos do passado. Fui juntando documento e protocolando. Então assim, você vê desde livro didático com preço errado, você vê gráfica, problema da gráfica e ai já apareceu né. Uma das coisas que já apareceram foi o Enem superfaturado”, disse o ex-ministro.

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