A Colômbia pode virar à esquerda?

*Por Julián Rouvier – Jornalista

O domingo 13 de março teve um marco histórico na política da Colômbia, que agora pode virar à esquerda. O candidato progressista Gustavo Petro obteve quase 4,5 milhões de votos e venceu na consulta interpartidária do “Pacto Histórico”, equivalente às primárias da Argentina. Obtendo quase 3,5 milhões a mais que Francia Márquez, que ficou em segundo lugar nas eleições. O Petro disputará no dia 29 de maio contra Federico Gutiérrez, vencedor do estágio “Equipo por Colômbia, e Sergio Fajardo, que foi vitorioso no estágio “Coalición Centro Esperanza” na corrida presidencial.

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O progressismo colombiano não só exibiu números avassaladores nas eleições presidenciais, por ter sido a coligação mais votada, como obteve 16 cadeiras no Senado, fato histórico para um partido de esquerda na Colômbia. “O que se vê nas eleições é que, sem dúvida, houve um pequeno deslocamento para coalizões de esquerda e centro, e nesse sentido as cadeiras que o Pacto Histórico obteve são significativas porque nunca antes na história da Colômbia no Senado da República 16 cadeiras foi obtido para um partido ou coalizão claramente de esquerda, isso é significativo”, disse o sociólogo Fabián Sanabria, acrescentando que o “grande vencedor” da noite foi Gustavo Petro e sua coalizão, devido “à grande diferença de votos de diferença que tiveram em relação aos demais internos”.

O perdedor óbvio no domingo, 13 de março, foi o Centro Democrático, partido ao qual pertence o presidente Iván Duque, que passou de ter 19 cadeiras no Senado nas eleições de 2018, para obter 14 cadeiras nestas últimas eleições. Mas o golpe não foi apenas no Congresso, o único candidato presidencial do partido comandado pelo ex-presidente Álvaro Uribe Vélez, após os resultados desfavoráveis ​​que obteve, decidiu se afastar e apoiar publicamente Federico Gutiérrez, ex-prefeito de Medellín. “Este ano estamos testemunhando a derrocada do Uribismo, pela natureza catastrófica deste governo, e essas circunstâncias fazem a direita querer se misturar, Federico Gutiérrez é uma extrema direita como Álvaro Uribe, é a mesma estratégia que eles usaram com Iván Duque”, afirmou Iván Cepeda, senador pelo Polo Democrático. Seguindo a linha de Cepeda, o sociólogo Fabián Sanabria assegurou que “o uribeísmo, apesar de perder suas boas cadeiras, pode ser recomposto e não é evidente que lhe falte um candidato forte para concorrer com Gustavo Petro à Presidência, porque Federico Gutiérrez vem da mesma corrente ideológica , isso mostra que o Uribismo não está morto”.

Tal foi o golpe para o Uribismo nestas últimas eleições que o próprio Álvaro Uribe Vélez se responsabilizou pelos pobres números obtidos pelo Centro Democrático, “reduzimos muitas cadeiras, o principal responsável por essa diminuição sou eu, pelo impacto na minha reputação”, assegurou o ex-presidente que cumpriu prisão domiciliar em 2020 devido ao risco de obstrução de justiça para um caso que investigava uma “suposta participação como apuradora dos crimes de suborno de testemunhas e fraude processual”.

Gustavo Petro foi o encarregado de denunciar uma possível fraude no sistema de apuração dos votos, segundo ele faltariam 500 mil votos para a lista do “Pacto Histórico”, o que, se verificado, poderia garantir progressismo mais dois ou três senadores, “nós acabamos de verificar que queriam roubar 500.000 votos através dos dispositivos de observação eleitoral que temos. Se o resultado de domingo já foi animador, com estes números seria muito mais”, assegurou o senador Iván Cepeda, explicando que pediram uma recontagem porque “há 29 mil mesas onde se noticiou no domingo que há zero votos para o pacto histórico, que despertou uma reação de nós”.

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Para as próximas eleições de 29 de maio, estima-se que, segundo as pesquisas, Gustavo Petro possa obter um número maior de votos. Embora ainda esteja longe desses 10 milhões de votos, mais de 50% da apuração, necessários para evitar uma segunda disputa eleitoral que, como refletido nesta última votação, poderia confrontá-lo com Federico Gutiérrez.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Perfil Brasil.

*Texto publicado originalmente no site Perfil Argentina.

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